A banda do Arizona composta por John O’Callaghan, Pat Kirch, Garrett Nickelsen, Kennedy Brock e Jared Monaco lançou seu décimo álbum de estúdio em abril, chamado Joy Next Door. O disco aborda a alegria como algo frágil e intencional em vez de um sentimento triunfante e avassalador. Até mesmo o título, “Joy Next Door” (Alegria da Porta ao Lado), sugere que a felicidade está próxima, ao alcance, mas nunca é permanente. E, honestamente, essa é a beleza da alegria em sua essência.
A sensação é de memória de uma forma muito específica. Não apenas uma nostalgia dramática, mas aquela em que você de repente se lembra de uma viagem aleatória para casa ou de uma conversa que você esqueceu que importava até anos depois. Dá pra perceber que houve um esforço consciente para fazer a produção parecer emocionalmente “vivida.” Quase parece que todas as músicas existem no mesmo contexto emocional, como se morassem na mesma vizinhança, o que obviamente faz o título ter um impacto ainda maior.

Cada álbum do The Maine possui uma cor simbólica, e este é verde, representando crescimento, renovação e presença. A composição também apresenta um som mais orgânico e cru, com imperfeições intencionais.
Conversamos com o Kennedy (guitarrista) e o Garrett (baixista) sobre esse novo capítulo da banda, que logo completará duas décadas de carreira musical. Algo interessante sobre ser uma banda por tanto tempo é a capacidade de adquirir uma identidade própria, que precisa ser bem pensada e de acordo com a realidade de cada um.
We In The Crowd: Quando estava me preparando para esta entrevista, assisti ao podcast do Joe Vulpis e o John (vocalista) disse, e cito: “ninguém se importará mais com a sua arte do que você”. E acho isso fascinante, especialmente agora que o mundo está repleto de conteúdo de inteligência artificial e existe essa luta constante pela autenticidade para aqueles que estão sempre na mídia. Nesse sentido, já que vocês estão na banda há quase 20 anos, como conseguem se manter autênticos e qual é a relação de vocês com a reinvenção?
Kennedy: No fim das contas, você precisa ser autêntico. Houve momentos em que tentamos fazer algo fora do nosso normal, tentar assumir um papel diferente. E acho que, com o tempo, todas essas coisas se tornam parte de você. Este disco em particular parece muito introspectivo, como se, em vez de tentar ser algo que não somos e seguir uma direção diferente, nos voltássemos para quem somos e o que somos, tentando capturar isso—o que não era uma coisa fácil a se fazer. É algo etéreo, como se, assim que você olha para ele, desaparecesse. Mas acho que é muito importante tentar encontrar esse aspecto de nós e aceitar a imperfeição e nos aceitar como somos.
Como fãs internacionais, é incrível poder ver os artistas que gostamos terem um carinho especial pelo país em que moramos e genuinamente retribuí-lo.
Garrett: Eu já me senti como um Beatle! A primeira vez que fomos lá [ao Brasil] foi tão chocante e exclusivamente irreal que eu só pensava sobre isso e eu ficava “o que está acontecendo?” não dava pra imaginar. […] Tendo aqueles momentos tipo, indo lá e viver isso mesmo que por um curto tempo é tipo “isso é o mais legal.” Como as pessoas são apaixonadas, as músicas que elas querem ouvir são tão diferentes de outros lugares do mundo, o fato de que há pessoas que estão gritando para ouvir ‘Jenny’ é tão louco pra nós.
“A singularidade do Brasil é tão legal, é incrível como as pessoas simplesmente nos abraçam e nos apreciam de uma certa maneira. Foi o Brasil que nos manteve em uma época em que não achamos que conseguiríamos continuar em uma banda, e depois fazíamos um show lá e era tipo “uau, o mundo é muito maior do que você pensa.” — Garrett sobre trazer turnês para o público brasileiro.
E por falar em turnê, eles encerraram a I Love You But I Choose The Maine Tour e acabaram de anunciar a The Tour Next Door, na qual farão dois shows diferentes na mesma noite, sendo uma “One Part Quiet” (Uma Parte Silenciosa) com o set acústico e “One Part Loud” (Uma Parte Alta) com a banda completa, e esperamos que os fãs brasileiros também possam ganhar essa experiência em breve.


Inclusive, a banda contou em um post do Instagram que finalmente conseguiram lançar uma nova faixa, Parking Garage Song #5, que levou um tempo até encontrarem o momento perfeito para adicioná-la ao álbum.
“Tínhamos certeza de que não poderíamos lançá-la para o mundo até que ela soasse exatamente como a ouvíamos em nossas cabeças; por isso, durante as últimas semanas de turnê, finalmente concretizamos e finalizamos a “Parking Garage Song #5”. Isso não é uma versão “deluxe” nem uma faixa bônus. É o que pretendíamos criar e compartilhar com a família 8123.”
The Maine possui novas músicas recheadas de letras para cada situação das grandes mudanças da vida adulta com o álbum Joy Next Door, que funciona como uma ótima trilha sonora. Vale a pena conferir, disponível em todas as plataformas digitais!
Nós, que também fazemos parte da família 8123, estamos super animados com o que está por vir.
Assista a entrevista completa:





