Não houve segunda-feira que impedisse a Farmasi Arena de ficar lotada de fãs para assistir, pela primeira vez no Rio de Janeiro, à cantora espanhola Rosalia. A plateia representava todo o universo da artista: vestidos de branco, com artigos celestiais e muitas referências ao seu trabalho, todos ansiosos para viver essa experiência única.
Reunindo uma legião de fãs de toda a América Latina, hipnotizados por tudo o que a LUX Tour proporciona, o espetáculo começa com o telão fechado, imitando a parte traseira de um quadro assinado pela cantora.

Dividida em cinco atos, a apresentação é como assistir a um museu vivo, com muito movimento, luzes e sons que trazem referências artísticas o tempo todo. Assim que o telão se abre, uma caixa escrita “frágil” é aberta para sua entrada triunfal. Vestida com trajes de balé, é possível ver, pelo telão, que Rosalia faz parte do cenário como uma bailarina dentro de sua clássica caixa de música. E ela dança mesmo! Com suas sapatilhas de ponta, Rosalia mostra todo o seu talento na dança ao lado de seus bailarinos.
A turnê fica ainda mais rica quando você presta atenção aos detalhes. O suporte do microfone, por exemplo, é feito de miniaturas de fachadas de catedrais históricas, com destaque para a Basílica da Sagrada Família, de Barcelona, em homenagem às suas origens catalãs. O fim do primeiro ato é marcado pelo véu que envolve Rosalia enquanto ela canta “Mio Cristo Piange Diamanti”, com a letra inteiramente em italiano. Mas o grande destaque mesmo foi a interação de Rosalía com os fãs, contando sobre seu amor por pão de queijo e compartilhando muitas outras pérolas ao longo da noite.
Mudando completamente a vibe no ato 2, Rosalia e seus bailarinos surgem de preto no palco, em uma representação do mítico quadro O Sabá das Bruxas (1798), de Francisco de Goya, brincando com a dualidade luz e sombra que há em todo o espetáculo. Eles então dão início aos hits do álbum MOTOMAMI, que fez da cantora a primeira artista espanhola a estrear no topo do Spotify Global. O momento foi aclamado pela plateia e trouxe a sensação de estar em uma boate europeia, cercada por todos os seus mistérios. O hit “LA FAMA”, parceria com The Weeknd, ecoou por todo o lugar, para a alegria dos fãs que aguardavam esse momento desde os shows do cantor no país.
Sempre criando formas de transformar a arte em algo vivo, no terceiro ato, Rosalia cria um momento único com os fãs. Selecionados na plateia, alguns deles sobem ao palco para admirar a cantora, que aparece cercada por uma moldura. Como se estivessem em um museu, eles assistem à sua versão de “Can’t Take My Eyes Off You” em uma experiência imersiva e tocante. Nesta hora, também acontece o Confessionário, momento em que grandes personalidades da música do país onde ela está se apresentam para contar uma história de confissão. Os palpites estavam certos, Marina Sena que sonhava em virar amiga de Rosalia, foi a convidada da noite.
Como uma exposição do Louvre, com luvas brancas e roupas pretas, Rosalia se torna a Vênus de Milo, famosa escultura grega, para cantar o hit “La Perla”. Além disso, neste mesmo ato, em “Ya Yugular” ela canta uma parte em um chão de vidro, lembrando a cinematografia da sua apresentação no Brasil, em 2023, no Lollapalooza.
Nos últimos atos, as eras MOTOMAMI e LUX se unem em uma mistura de emoções, que vai desde a excitação de quando a cantora canta “Dios es un stalker” no meio do público, enquanto caminha em direção ao palco onde fica a orquestra, até o encerramento com “Magnolias”. Entre esses dois momentos, um incensário gigante também se acende, simbolizando as orações dos fiéis se elevando ao som de uma batida de electrosamba. Com coreografias que passeiam do flamenco ao pop, muito teatro corporal e letras que marcam para sempre, a noite se tornou facilmente inesquecível para todos os presentes e, sem dúvidas, fez muitos retornarem para a apresentação extra no dia seguinte.





