Entrevista: Da cena sergipana ao Lollapalooza Brasil, Cidade Dormitório vive um momento histórico

Com mais de uma década de estrada, a Cidade Dormitório conseguiu chegar ao posto de um dos nomes mais interessantes do indie brasileiro até hoje. Formada em Sergipe por Yves, Fábio, Lucas e João, a banda construiu sua trajetória dentro da cena alternativa com shows intensos, letras viscerais e uma relação muito próxima com o público. 

Agora, o grupo vive um novo momento da carreira, no dia 21 de março, eles sobem ao palco Flying Fish do Lollapalooza Brasil, em São Paulo, em mais um capítulo importante nessa caminhada, provando por que continuam sendo um nome incrível para se acompanhar dentro da música nacional. Confira nosso papo com eles antes desse marco histórico.

Em 2025, vocês celebraram 10 anos de Cidade Dormitório, fizeram uma turnê especial. O que vocês acham que mudou na forma como vocês enxergam a banda hoje? Em comparação lá do começo. E o que vocês fazem em questão de manter intacto? 

Lucas: A gente se coloca, acho que, numa posição de maturidade maior hoje, assim. Aquela maturidade forçada mesmo, né? Mas o que a gente tenta manter intacto é essa inocência nossa mesmo, a visceralidade. É a forma como a galera trata a gente e a gente trata de volta, né?

Yves: Eu acho que, como uma banda que é vista e se afirma também no underground, a gente sabe que existe uma ética e a gente não abre mão dessa ética.

Mesmo com a ideia do profissionalismo, a ideia de você racionalizar as coisas com logística, a gente tenta realmente criar esse meio termo, sabe? De conseguir seguir, fazer uma turnê gigante, mas manter uma ética que às vezes pode até se perder, sabe? 

Quando você automatiza demais, quando você vira uma banda que não quer que ninguém abra pra você porque vai atrapalhar seu mapa de palco, saca? A gente não é esse tipo de banda. A gente se entende como pessoas que não estão sozinhas nesse mundo. Tem uma cena que a gente faz parte, compõe, e é uma construção cotidiana com pessoas de todas as pessoas que fazem música.

Fábio: Sim. Eu acho que também tem uma coisa que, sobre o que o Lucas falou, não só a inocência, mas também não perder a ternura de fazer o que a gente faz, sabe? Porque isso é muito importante. Eu estava conversando com o João Maia esses dias sobre isso, sobre como envelhecer é uma grande missão pra não perder a ternura dessa coisa, sabe?

Acho que sentimos a mesma empolgação de tocar o que a gente sentia há 10 anos atrás. E acho que isso não pode ser perdido nunca.

Vocês sempre parecem muito conectados com a cena e essas outras pessoas envolvidas. O que vocês têm escutado, assistido ou lido recentemente que acaba influenciando tanto o som de vocês ou a estética de vocês nesse momento? 

Fábio: Eu gostei que você falou de coisas além de música, porque é importante. A galera acha que, porque a gente é música, a gente fica só em música o tempo inteiro. Mas, principalmente, esses dois bonecos aqui (Yves e João) são muito da filosofia, da sociologia, das coisas todas.

Eu e o Lucas, a gente vê muitas outras coisas. A gente gosta muito de moda também. Então, acho que as influências estão extrapolando muito o que a gente ouve de música.

A gente ouve muita coisa, está antenado em muita coisa, está andando por aí, conhecendo gente. E eu acho que isso tem sido a maior influência, afinal das contas, é andar pela estrada e ouvir o que a galera está tocando hoje em dia. Mas a gente ouve muita coisa e vê muita coisa além de música que também entra dentro do caldeirão que a gente produz.

João: E, por exemplo, nessa última turnê, a gente sempre vai tocando com bandas que a gente fica muito surpreso com o som. Sempre acabamos aprendendo muita coisa. Tipo, quando a gente encontrou com o Jonabug lá em Curitiba. Acho que foi um exemplo disso. 

A galera sabe tirar som de um lugar que tem uma estrutura menor e tudo mais. Consegue entregar muito no palco, um som bem conciso. É legal estar nesse lugar de muita experiência e de muito aprendizado, porque a gente acaba vendo muito da banda.

Sempre tem uma coisa ali que a gente pega e leva pra nossa própria parada depois. Às vezes é um pedal que o cara fala, às vezes é uma forma como se coloca a voz dentro de um contexto de banda.

Ontem a gente tava ouvindo o disco do Alex Sant’Anna, que é um artista lá de Aracaju. A gente escuta muita coisa no caminho e sempre vai associando, sempre vai aglutinando o nosso som.

Yves: Eu tava assistindo muito filme de máfia, tipo Scorsese, e aí comecei a viajar com isso em termos estéticos musicais, até pra um possível conceito. Por exemplo, quando eu ouvi o último álbum da Yma, a paisagem visual que a música dela proporciona foi algo que me deixou inspirado, sabe? E ela é uma parceira, então a gente, de certa forma, acha muito massa estar com referências que existem, que não são distantes.

O corpo das pessoas tá próximo da gente. O Alex, que é lá da nossa cidade, que é um cara que rodou por muitos anos com as bandas dele, desde os anos 2000. E a Yma, que também, por exemplo, em São Paulo é uma baita referência. São duas pequenas amostras. 

Livros também, que eu lembro de ter lido de pirado, em algumas literaturas, por exemplo. Esses dias eu redescobri um livro, Memórias de um Sargento de Milícias. Tem umas paradas que às vezes dão uma inspiração. Tipo, o próprio Capitães de Areia, com o Jorge Amado. 

Mas isso é uma constante que atravessa e que muda também. As viagens, inclusive, são o retrato vivo disso. Quando a gente viaja, a gente vive conversando e vive escutando música.

E quando a gente não conversa sobre música, a gente conversa sobre livro ou sobre filme. Ou sobre meme. A cultura pop é bem presente.

Lucas: Cada um escuta coisas diferentes, só que nesse momento em que a gente está enfurnado dentro de um carro, a gente se obriga a escutar as mesmas coisas. Eu sou obrigado a escutar coisas diferentes.

Yves: A gente estuda, cara. E vai ouvindo. Eu lembro também de a gente escutar… Para puxar a sardinha para outra artista do Lolla, eu lembro de a gente ficar estudando um disco da Jadsa. Então, é massa. E isso é uma vida em cena mesmo. 

E a gente não pode deixar de falar do Lollapalooza 2026, um marco gigantesco na carreira de vocês. E vocês se tornaram só a segunda atração do Sergipe da história a estar no line do festival. O que vocês acham que esse momento representa para vocês, tanto pessoalmente quanto coletivamente, como Cidade Dormitório? 

Lucas: Pessoalmente é mais fácil de responder. Coletivamente eu não posso falar por todos, mas eu conheço as pessoas e falo “Oi, meu nome é Lucas, eu tenho uma banda que vai tocando Lollapalooza”. Tipo, esse é o assunto do momento. A gente está muito empolgado.

É uma coroação desse lance dos 10 anos de banda que não poderia ser mais empolgante mesmo. Você fechar uma turnê de uma banda que sobreviveu 10 anos no underground tocando em um Lollapalooza é a coisa mais foda que existe.

Yves: É muito massa. E tem muita gente que está falando assim “cara, muito feliz por vocês”. Não só gente do nosso estado, mas de outras cidades também.

E claro, para o nosso estado isso é uma outra dose de autoestima, principalmente para as pessoas que fazem música lá. E também é um lembrete de que não é uma coisa estranha (estarmos nesse lugar). As histórias vão se repetindo, porque tem bandas boas o tempo todo por aí. E a gente é uma delas. 

Fábio: E que se repita com mais frequência. Que a galera olhe e veja que existem outros horizontes, sabe? Em relação a cena do Brasil. E que elas (bandas) vejam que podem ser abraçadas e que a gente vai fazer muito com elas.

Lucas: Essa curadoria foi bem elogiada, né? Pela forma como ela olhou para o underground.

Fábio: Essa própria banda que a gente citou, a JonaBug, vai tocar no Lollapalooza também. A gente dividiu uma data e depois a gente viu.

João: Nenhuma das bandas sabia que ela ia tocar no Lollapalooza.

Yves: Quando a gente viu que um e-mail chegou para eles, a gente foi lá e falou. E a gente tinha acabado de se encontrar. Então esse momento do Lolla é um momento grandioso.

Ele mostra que ainda é sobre encontros em cena e que vão existir para além do Lolla também. O Lolla vai ser um momento que a gente vai dar o máximo, mas vamos continuar dando esse máximo nas próximas datas depois do Lolla.

Lucas: A gente descobriu no meio desse mote, da turnê de 10 anos, que íamos tocar. E aí a gente acabou, talvez muito pelo Lolla, estendendo essa turnê. Talvez ela seria menor se o festival não fosse acontecer.

Então é aquela empolgação que às vezes falta. É aquele momento que sua mãe fala “aquela guitarra que comprei para você, que você me encheu o saco, parece que está fazendo sentido agora”.

E eu estou muito ansiosa para o show. Quando eu vi o nome da Cidade Dormitório, eu fiquei, finalmente. Porque eu nunca fui num show de vocês.

Yves: Então vamos estar muito felizes que você vai estar lá vendo. Com certeza.

Fábio: Fala com a gente lá. 

E em 2025 vocês lançaram um single, que foi o Barco Amnésia. E já confirmaram que um novo álbum está vindo por aí, agora em 2026. O que dá pra vocês contarem desse projeto até agora? Ele dialoga com os álbuns anteriores? Ou ele abre um novo capítulo na história da banda? O que está acontecendo nos bastidores? 

Yves: Olha, posso dizer que ele dialoga direta e indiretamente com alguns dos artistas que a gente falou nessa entrevista. Não vou dizer de que forma. Mas há diálogos.

Há referências a tudo que a gente falou nessa entrevista. Mas há também esse símbolo de que é uma coisa bem nova, bem diferente de tudo que a gente já fez, ao mesmo tempo com algum gostinho visceral que o Lucas falou, que é algo que eu acho que marca nosso som. 

Mas sim, tem muita coisa diferente. Eu espero que não assuste as pessoas. 

Fábio: Na verdade, é a grande alegria de fazer música, no fim das contas. É de você dar a cara a tapa e dizer, galera, tem algo novo que eu estou fazendo aqui. Vamos lá, vamos querer, vamos aproveitar. Porque a gente está fazendo aqui uma coisa nova.

Yves: Vamos nos permitir. 

Fábio: Vai ser uma coisa completamente diferente. E a gente espera que a galera corra junto com a gente. Passamos um mês do estúdio fazendo o disco e foi uma missão completa. É um retrato bonito do que estava acontecendo naquele momento.

Yves: É o momento quando o Bojack Horseman se questiona sobre a vida e muda as atitudes dele, sabe? Vai querer correr com os cavalos lá. 

É a melhor referência. E agora para encerrar, vocês podem dizer algo para os amantes de Cidade Dormitório que estão nos assistindo de todos os lugares do Brasil, e que estão ansiosos por esse novo capítulo da banda? 

Yves: Vamos entregar para as pessoas um novo show e esperamos que isso faça elas estarem conosco num estado presente. Vai ser um show cinemático.

João:  A gente tem planos de fazer a turnê do disco novo, né? E a gente quer fazer, agora com a nossa cabeça que temos, um show pensado de outra forma. Queremos experimentar. Mais uma coisa que eu tenho certeza é: vamos continuar tocando.

A gente vai tentar tocar muito mais do que a gente tocou nesse último tempo. A nossa vida tem sido muito baseada nisso, na verdade, nos últimos anos. Então, a gente vai continuar nessa. Vamos tentar ir em todos os lugares que a gente não foi e manter as amizades que a gente tem, que fortaleceram bastante com a gente.

Esperamos conseguir repetir muitos lugares que a gente já foi também. Mas é isso. Estamos na sede de tocar mais e encontrar mais galera nesse caminho aí.

Fábio: Exato. E a gente ama vocês. 

Lucas: Isso, porque essa parada só existe por causa disso.

Yves: A gente quer tocar pra gente que já viu, mas a gente quer tocar pra gente que nunca viu também. Esperamos que o nosso disco faça parte dessa missão aí. 

Fábio: Muito se fala sobre a cena, as bandas e essas coisas, mas a cena é tanto as bandas quanto o público. Estamos juntos e vamos continuar juntos para o futuro. 

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Visualizer de “Eu e Você”, colaboração das excepcionais @jadebaraldo e @clauoficial, em primeira mão para vocês. ♥️

Quanto tempo demora para termos um verdadeiro sentimento para ser exposto para milhares de pessoas? Jade está de volta com o álbum “Não Há Nada Mais Honesto que um Sonho”, desenvolvido com o duo @olasantin, já disponível em todas as plataformas digitais.
 
Direção e Edição: Juliana Colinas - @jucolinas
Direção Criativa e Styling: Guilherme Orlando - @gui.orland
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3 dias ago
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“Sinto uma quantidade extrema de amor e cuidado com a música em geral [no Brasil]. Isso significa algo. É algo tão importante para as pessoas ao redor, que nos faz sentir também. É um bom lembrete para amar o que você ama.” 💜

Que nós amamos o The Maine não é segredo, mas essa declaração do Garrett e do Kennedy mexeu com a gente. 🥲

#themaine
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4 dias ago
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Se o Harry Styles ficou confuso, a gente explica pra ele quem é Garrett Graham 😮‍💨

🎥 Reprodução: OMGETOVERIT/X

#harrystyles #offcampus
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4 dias ago
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Avery Lynch está preparada para se tornar a sua artista favorita! A cantora vem conquistando ouvintes ao redor do mundo com suas composições emocionantes e com sua voz delicada que transforma sentimentos em melodias que vão te fazer chorar. Uma artista promissora que com certeza merece um espaço na sua playlist. 

Ficou curioso? Vem conferir o que ela tem a dizer na nossa entrevista no YouTube e confira a matéria completa já disponível no site! weinthecrowd.com

#averylynch
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4 dias ago
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Maio trouxe infinitos lançamentos de nossos artistas favoritos, um mês agitado para quem acompanha o universo da música. 

De singles aguardados, novos artistas a projetos inéditos, selecionamos alguns dos destaques que mais chamaram a atenção do WITC ao longo do mês. 

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6 dias ago
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A britânica ficou conhecida no TikTok por conta de edits com suas músicas, mas sua estética vai muito além. Com faixas produzidas com harpas e corais feitos por ela mesma, ela transforma música em uma verdadeira experiência.

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1 semana ago
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Que mistura de sensações foi o dia 2 de C6 Fest! 🤯

Passamos pela energia de Magdalena Bay, cantamos os hinos dos Paralamas do Sucesso, e fomos transportados pelas apresentações de Beirut e do lendário Robert Plant no Palco Heineken.

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📸 @marihfc.pics @lohannevillela
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Que mistura de sensações foi o dia 2 de C6 Fest! 🤯

Passamos pela energia de Magdalena Bay, cantamos os hinos dos Paralamas do Sucesso, e fomos transportados pelas apresentações de Beirut e do lendário Robert Plant no Palco Heineken.

Na Tenda MetLife, o clima foi estético e intimista com a fumaça de Lykke Li, a fofura de Oklou e a grandiosidade de Benjamin Clementine. Pra completar o dia perfeito, o Auditório Lab entregou tudo com o show super aguardado de Cameron Winter.

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2 semanas ago
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7/9
Nem a chuva conseguiu parar o primeiro dia de C6 Fest. E que bom, porque a espera valeu a pena!

Teve o retorno nostálgico do The XX, a estreia do Wolf Alice em São Paulo, o baile anos 70 do Mano Brown e o show emocionante do Matt Berninger. Junte a isso a energia contagiante da Amaarae e a apresentação envolvente do Horse Girl, e o resultado foi um dia completo, do começo ao fim.

📸 @marihfc.pics @lohannevillela
Nem a chuva conseguiu parar o primeiro dia de C6 Fest. E que bom, porque a espera valeu a pena!

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2 semanas ago
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8/9
O The Amity Affliction (@theamityaffliction) voltou a São Paulo neste domingo para um show intenso no Carioca Club, que marcou a era do novo álbum House of Cards. 🖤

Fãs estavam em peso mostrando sua dedicação com cartazes e, claro, muitas rodas (que não podiam faltar). Confira como foi um pouco da apresentação no post. 

📸 @daymphotos 
#theamityaffliction
O The Amity Affliction (@theamityaffliction) voltou a São Paulo neste domingo para um show intenso no Carioca Club, que marcou a era do novo álbum House of Cards. 🖤

Fãs estavam em peso mostrando sua dedicação com cartazes e, claro, muitas rodas (que não podiam faltar). Confira como foi um pouco da apresentação no post. 

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#theamityaffliction
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