Você esteve na Broadway, o que é algo enorme. Além do talento, exige muita dedicação para construir uma trajetória como essa. Hoje, você também está apresentando músicas que contam as suas próprias histórias. Existe diferença entre subir ao palco como atriz e subir ao palco para cantar algo tão pessoal?
Ava: Tem sido muito interessante explorar esses dois caminhos na minha vida. Quando eu me apresentava na Broadway, era muito divertido porque eu assumia o papel de outra pessoa. Eu podia entrar na pele de uma personagem e enxergar o mundo pelos olhos dela. No teatro existe aquela regra de não quebrar a quarta parede, então você normalmente evita olhar diretamente para a plateia ou estabelecer contato visual com alguém específico. Acho que essa é a principal diferença. Agora, quando apresento minhas próprias músicas, tudo é muito mais pessoal. Existe uma conexão direta com o público. Posso olhar para as pessoas, conversar com elas e compartilhar histórias que realmente são minhas. São experiências muito diferentes, mas eu amo as duas por motivos distintos.
Seu novo single, “3AM”, mergulha em sentimentos de vulnerabilidade, autodescoberta e na dificuldade de romper ciclos emocionais. Acompanhada por um videoclipe cinematográfico, a faixa transforma as incertezas das madrugadas em uma narrativa intensa e pessoal, refletindo a identidade artística que Ava vem desenvolvendo longe dos personagens que interpretou no teatro.
E por que exatamente 3 da manhã?
Ava: O que aconteceu foi que eu estava tentando tomar uma decisão tarde da noite e um amigo me disse algo como: “Vai dormir e pensa nisso amanhã”. Eu gostei muito dessa frase e ela acabou servindo como ponto de partida para algo muito maior (…) 3 da manhã parece um horário naturalmente vulnerável. É aquele momento em que tudo parece mais dramático do que realmente é. Você está cansada, emocionalmente exposta e nem sempre consegue enxergar as situações com clareza. Isso conversa diretamente com a mensagem da música, porque a personagem está presa em uma espécie de negação e não consegue ver a realidade como ela realmente é. Foi daí que surgiu a escolha desse horário.
Em conversa com a We In The Crowd, a cantora falou sobre suas maiores influências, o processo criativo por trás de “3AM”, a liberdade e os desafios de ser uma artista independente, além dos próximos passos de uma trajetória que já soma mais de 150 músicas escritas.
Você é uma artista independente. Quais foram os maiores desafios que encontrou até agora nessa jornada?
Ava: Curiosamente, o maior desafio também é uma das coisas mais gratificantes de ser independente. Tenho muito controle sobre minha imagem e sobre minha música. Posso decidir exatamente o que quero lançar, como quero me apresentar ao público e quais histórias desejo contar. Ter a possibilidade de seguir meus próprios instintos e construir minha trajetória da forma que considero mais autêntica é uma das coisas que mais valorizo na minha carreira.
Falando sobre a sua música, quais artistas mais te inspiram atualmente? Existe alguém para quem você olha e pensa: “essa pessoa teve um grande impacto em quem eu sou como artista”?
Ava: Acho que isso muda bastante dependendo do momento da minha vida e até do dia. Mas, atualmente, sou muito fã do Conan Gray. Também adoro a Chappell Roan. E uma artista que voltei a ouvir recentemente foi a Camila Cabello. Estava escutando alguns dos trabalhos mais antigos dela ontem e me lembrei de como ela é incrível. Ela tem uma voz muito característica e um alcance impressionante.
Eu adoraria visitar o Brasil! Nunca fui, mas é um lugar que recebo recomendações o tempo todo. Sinceramente, boa parte das minhas mensagens nas redes sociais são de brasileiros me convidando para conhecer o país. Então espero conseguir realizar essa visita algum dia.
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