Parece até repetitivo dizer que KINO ama o Brasil, mas depois de mais uma passagem pelo país fica cada vez mais difícil encontrar outra explicação para a conexão entre o artista e os fãs brasileiros. Em sua segunda apresentação como solista em São Paulo, além da passagem anterior com o PENTAGON, KINO voltou à cidade com a FREE KINO Tour.
Novamente, o encontro aconteceu no Carioca Club, que recebeu os fãs para uma noite que já começava antes mesmo de o artista subir ao palco. Uma parte do espaço foi dedicada a lojinhas com produtos de K-pop, com chaveiros, pelúcias, photocard holders e vários outros itens. Assim, quem chegava mais cedo podia aproveitar para explorar as lojas, encontrar outros fãs e entrar no clima do show enquanto esperava a apresentação começar.
Mas, quando as luzes se apagaram e KINO finalmente apareceu, a atmosfera mudou completamente. O começo do show era mais frio e pesado e, nas primeiras músicas, ele usava o palco para expressar suas frustrações internas, dando início a uma jornada de autodescobrimento que acompanharia toda a apresentação.
Porém, conforme as fãs o apoiavam e gritavam cada vez mais alto, ele conseguia ir se libertando e, aos poucos, se tornando um verdadeiro FREE KINO, aquele quem nasceu pra ser.
Durante a apresentação, KINO desabafou que, nos últimos meses, passou por momentos difíceis e se sentiu mal constantemente. Foi nesse período que aprendeu, na marra, a aceitar suas partes imperfeitas, deixando de enxergá-las como defeitos e começando a abraçá-las como parte de um KINO que também é digno de amor.
E essa mensagem não ficou apenas nele. Ao longo da noite, o artista tentou levar o mesmo sentimento para quem estava na plateia. O objetivo era que cada pessoa pudesse cantar, pular, dançar e ser livre da sua própria maneira, dentro de um espaço seguro e sem julgamentos.
“Eu quero que vocês esqueçam sobre o mundo agora e dancem como loucos.”
E, bom… o público levou a missão a sério.
A setlist também ajudou a contar essa história. Passeando por diferentes momentos de sua carreira solo, KINO revisitou suas primeiras músicas e mostrou o quanto amadureceu musicalmente ao longo dos anos.
Faixas como “Solo”, “Pose” e “Skyfall” apareceram ao lado de trabalhos mais recentes, como “Club Sex Cigarettes” e “Mapsi”, criando uma espécie de linha do tempo da sua trajetória.
É interessante perceber essas músicas lado a lado porque elas deixam claro que o KINO que está no palco hoje não é exatamente o mesmo de quando começou sua carreira solo. Existe uma evolução não só na sonoridade, mas também na maneira como ele se apresenta e entende a própria arte.
Mas é claro que não dava para deixar o PENTAGON completamente de fora.
Em alguns dos momentos mais emocionantes da noite, “Call My Name”, “Shine” e “Spring Snow” fizeram a plateia cantar em um volume que seria difícil competir. São músicas que carregam anos de história para os fãs e, ao aparecerem naquele momento da apresentação, trouxeram uma dose extra de nostalgia para uma noite que, até então, estava muito focada na nova fase de KINO.
Outro detalhe que merece destaque foi a banda que acompanhou KINO, que apresentava uma formação totalmente brasileira, com o baterista Mario Conte e o guitarrista Tera Culpa.

A parceria funcionou muito bem e ajudou a deixar o show ainda mais especial, principalmente considerando a relação que KINO já construiu com o país.
“Brasileiros sempre me surpreendem, vocês são maravilhosos. Nas entrevistas, sempre digo que as melhores plateias estão no Brasil.”
E ele não parece falar isso apenas por falar. KINO é extremamente carismático no palco e leva a apresentação com muita facilidade. Seja cantando, dançando ou simplesmente interagindo com o público, é possível sentir o amor que ele tem por essa profissão. Existe uma entrega muito genuína em sua performance, e isso deixa tudo ainda mais bonito de assistir.
Se o começo da apresentação era marcado por frustração, insegurança e sentimentos difíceis, o final foi praticamente o oposto. Com sua liberdade finalmente conquistada, KINO transformou o Carioca Club em uma verdadeira festa.
“Flake” foi repetida diversas vezes, o artista foi para o meio da plateia, dançou com fãs, pulou com a banda e fez tudo aquilo que uma noite como essa pedia. Não havia mais a mesma distância do começo do show. Não existia mais aquela sensação pesada, restava apenas diversão.
E talvez seja justamente esse o ponto mais bonito da turnê. A liberdade que KINO procura não parece ser sobre se tornar uma pessoa completamente diferente, mas sobre entender que todas as suas versões, inclusive as imperfeitas, merecem existir.






