O primeiro domingo (6) de Rock in Rio 2026 encontrou um jeito certeiro para transformar a Cidade do Rock em uma grande celebração da música: reunir artistas que marcaram diferentes gerações, colocando nostalgia, R&B, hip-hop, rock nacional e música eletrônica, tudo em um único dia.
Nomes como Nelly, Ne-Yo, Black Eyed Peas e Calvin Harris dividiram os holofotes com artistas brasileiros como Barão Vermelho, Jota Quest, BaianaSystem e Xamã. O resultado foi uma noite não tão definida por um único gênero e mais pela capacidade de fazer o público reconhecer, cantar e dançar junto, mesmo com a chuva.
Se o segundo dia do festival ficou marcado pelo peso do rock e do metal, o domingo veio para provar que a Cidade do Rock também sabe ser uma gigantesca pista de dança.
Nelly, Ne-Yo e Black Eyed Peas carregaram para o Palco Mundo e Sunset músicas que atravessaram os anos 2000 e continuam imediatamente reconhecíveis pelo público. Além revisitar uma época, os shows mostraram como determinados hits permanecem vivos justamente porque fazem parte da memória coletiva de diferentes gerações.
Foi o tipo de noite em que bastava a introdução de uma música para milhares de pessoas saberem exatamente o que vinha a seguir.
Dando início a programação do palco Sunset, Calema além de demonstrar muito carinho com o público brasileiro, também por conta da língua portuguesa que é compartilhada, trouxeram Dilsinho para o palco para ser uma das provas de gratidão ao público.
O show de Nelly fez sua primeira apresentação no Brasil e, mesmo poucos dias atrás estando doente, entregou um show envolvente cheio de nostalgia. Durante seu set, Dilemma foi responsável por uma das maiores reações do público e era também uma das mais esperadas de toda a noite.
Mais do que apresentar um repertório de sucessos, o Black Eyed Peas mostrou por que algumas músicas parecem ter sido feitas para grandes festivais.
Iniciando já com “Let’s Get It Started”, o grupo cantou todos seus maiores hits e ainda apresentou uma música nova com inspiração brasileira —por mais que o clipe tenha sido criado por I.A—, contando mais uma vez da gratidão pelo reconhecimento no país.
Sem Fergie, mas com Will.i.am, J Rey Soul, Taboo e Apl.de.ap, trouxeram desde hits antigos até participação especial do Papatinho e “Mas Que Nada”, de Sérgio Mendes.
A resposta do público deixou claro que, mesmo anos depois de seu auge comercial, músicas como “I Gotta Feeling” continuam tendo força para transformar milhares de pessoas em um único coro.
No Sunset, o Jota Quest levou para o festival o projeto especial em homenagem a Tim Maia, em uma apresentação que mistura a identidade da banda com um dos nomes mais importantes da música brasileira.
A proposta ganha ainda mais força dentro do contexto do terceiro dia: enquanto o Palco Mundo aposta em hits internacionais que marcaram os anos 2000, o Sunset resgata uma parte essencial da memória musical brasileira.
O contraste funciona justamente porque o Rock in Rio não precisa escolher entre passado e presente, Brasil e exterior ou rock e pop. A força do festival está também nessa capacidade de colocar diferentes universos musicais dentro do mesmo lugar.
Além dos grandes nomes do Palco Mundo e Sunset, artistas brasileiros movimentaram outros espaços do festival. Xamã, BaianaSystem, Rael e os demais nomes da programação ajudaram a construir uma experiência que vai muito além dos headliners.
Esse talvez seja um dos pontos mais interessantes do Rock in Rio: enquanto milhares de pessoas se concentram diante do Palco Mundo, outras experiências acontecem simultaneamente por toda a Cidade do Rock.
A chuva apareceu novamente como um dos elementos da experiência do festival.
Capa de chuva, looks adaptados, lama, correria entre os palcos e aquele clássico dilema entre proteger o celular ou continuar dançando: o clima também acabou fazendo parte da memória do terceiro dia, por mais que, claro, ninguém ame curtir um dia tão esperado embaixo de tanta água, o Rock in Rio mostra mais uma vez que o público brasileiro está disposto a tudo para esquecer por algumas horas o estresse da rotina e apenas focar em viver ao extremo tudo o que o festival tem a proporcionar.
E então, chegou a hora de Calvin Harris. Estreando no Rock in Rio como headliner do Palco Mundo, o DJ escocês recebeu a missão de encerrar o terceiro dia (e talvez não houvesse escolha mais coerente para uma noite construída em torno de grandes hits).
Com uma discografia cheia de sucessos gigantescos, a plateia não conseguia ficar parada em canções como “Sweet Nothing”, “This Is What You Came For”, “One Kiss” e “Blame”, transformando a Cidade do Rock na maior balada do mundo por algumas horas, incluindo até alguns funks cariocas durante o setlist.
Mais do que um DJ set, Calvin Harris entregou o encerramento que a programação do domingo parecia preparar desde o início: uma celebração coletiva da música.
Talvez seja fácil definir o domingo como uma noite nostálgica. Mas reduzir o terceiro dia do Rock in Rio a isso seria pouco. O que aconteceu na Cidade do Rock foi um encontro entre gerações.
De um lado, artistas responsáveis por algumas das trilhas sonoras mais reconhecíveis dos anos 2000. Do outro, novos públicos que cresceram ouvindo essas músicas e agora as experimentam ao vivo em um dos maiores festivais do mundo.
E no meio disso tudo, o Rock in Rio funcionando exatamente como sabe fazer: transformando músicas individuais em experiências coletivas. Basta uma música conhecida, milhares de pessoas cantando juntas e um palco grande o suficiente para transformar tudo isso em memória.
E, neste domingo, a Cidade do Rock teve vários desses momentos.





