Interpretar uma música é muito mais do que cantá-la e, em Corpo Coral, Mônica Casagrande prova isso ao revisitar canções que marcaram gerações nas vozes de artistas como Rita Lee, Gal Costa, Marina Lima, Nina Simone, Angela Ro Ro e Etta James.
Em entrevista ao We In The Crowd, a cantora abriu os bastidores do projeto e contou como percebeu que cantar músicas de outras mulheres também era uma forma de falar sobre si mesma.
“A gente não quer fazer um karaokê das músicas. A gente quer colocar realmente uma interpretação. Então precisa passar pelo filtro e pelo interior da Mônica Casagrande”, explica. “Era um momento em que eu precisava muito de força. Misturar o meu corpo ao corpo delas, à obra delas, foi algo transformador”.
Esse processo também colocou a artista em um lugar completamente novo. Depois de quatro discos autorais, Corpo Coral exigiu uma vulnerabilidade diferente.
“Ser vulnerável foi a coisa principal para eu conseguir chegar onde eu cheguei. Eu tinha que entender quem elas eram e quem eu era dentro daquela canção”.
A proposta do álbum nunca foi reproduzir versões já conhecidas, pelo contrário, para Mônica, interpretar significa criar um novo significado para músicas que já fazem parte da história de tanta gente. Um dos exemplos é At Last, eternizada por Etta James.
“A versão original é super romântica e densa. A gente propôs algo mais leve, divertido e feliz. Essa é a parte divertida da interpretação, poder justamente propor algo novo”
Ao longo da conversa, ela também revelou um dos momentos mais emocionantes de toda a produção. Durante as gravações de Baby, de Gal Costa, a caracterização despertou uma lembrança inesperada.
“Quando me olhei no espelho, eu vi a minha mãe. Ela sempre dizia que tinha o cabelo da Gal. Como ela está passando por um momento muito delicado de saúde, foi impossível não me emocionar. O presente, o passado e o desejo de um futuro melhor se encontraram ali”.
Outro ponto marcante da entrevista foi a forma como Mônica descreve o conceito do disco. Para ela, Corpo Coral é sobre permitir que essas artistas atravessem sua própria identidade sem apagar quem ela é. “É como vestir a pele dessas cantoras. Mas, por baixo dessa pele, ainda existe a Mônica”.
Além de falar sobre as transformações que viveu durante o processo, a cantora ainda escolheu Rita Lee como a artista que mais gostaria de ter visto ao vivo, revelou que Nina Simone foi a mulher que a fez querer viver de música e resumiu a essência de Corpo Coral em uma imagem quase sensorial: “Um cheiro doce com um pouquinho de pimenta, um vermelho escuro e uma temperatura quente. É um disco feito para provocar movimento”.
Confira a entrevista completa:






