Maroon 5 encerra o palco mundo neste sábado com uma coletânea de hits e show repetido.
Marcando sua terceira passagem pelo Rock in Rio, o Maroon 5 encerrou a noite de sábado (12) no Palco Mundo com uma apresentação que apostou em sua fórmula mais conhecida.
Reunindo alguns dos maiores sucessos de sua trajetória, a banda norte-americana entregou um show eficiente e capaz de manter a Cidade do Rock em coro durante cerca de 1h45. No entanto, apesar da força do repertório e da resposta do público, a performance pouco se distancia do que o grupo já apresentou em outras passagens pelo país.
À frente do espetáculo, Adam Levine continua sendo o grande protagonista. Com presença de palco marcante, carisma e uma voz que permanece como uma das principais características do Maroon 5, o vocalista concentra boa parte dos olhares e da energia da apresentação.
Em diversos momentos, entretanto, essa centralidade acaba evidenciando uma dinâmica pouco equilibrada entre Levine e os demais integrantes, que aparecem mais como sustentação da performance do que como protagonistas de um espetáculo verdadeiramente coletivo.
E falando de destaques! O protagonismo do dia não ficou apenas por conta de Levine, mas também por PJ Morton, tecladista do Maroon 5. O artista já consolidado no meio R&B e Soul, se apresentou no Palco Sunset antes do show da banda no Palco Mundo.
Além do trabalho com o grupo, PJ já colaborou com nomes como Stevie Wonder, Erykah Badu, Jon Batiste e Nas, e comanda um selo próprio, a Morton Records. O tecladista passou a integrar a banda em 2012, inicialmente como músico de apoio, e hoje integra oficialmente a formação em turnês e nas gravações dos diversos hits, inclusive durante o show no Rock in Rio, o Maroon 5 reservou um um espaço no set só para ele durante o espetáculo! Pra dar uma variada, não é?

Mas continuando… a setlist recheada de hits não deixou a desejar. Canções como “This Love”, “Animals”, “Moves Like Jagger”, “She Will Be Loved” e “Sugar” transformaram a Cidade do Rock em um grande coro, atravessando diferentes fases da carreira e mostrando a força que o grupo construiu com o público brasileiro. A escolha pelo repertório mais conhecido também funcionou como uma espécie de celebração da relação de longa data entre a banda e o país.
Por outro lado, justamente por apostar quase exclusivamente em sucessos consolidados, o espetáculo deixa a sensação de oportunidade perdida para apresentar algo novo. Mesmo durante a turnê que acompanha o álbum Love Is Like, o Maroon 5 optou por não incluir músicas inéditas do trabalho no repertório apresentado no festival.
Em contrapartida, a falta de grandes alterações no formato da apresentação faz com que o show pareça previsível. A banda mantém uma estrutura performática semelhante à de outras turnês, com poucos momentos capazes de surpreender quem já acompanhou suas apresentações anteriores. A produção visual também não assume proporções grandiosas, deixando que a força das músicas e o carisma de Levine sustentem o espetáculo.


É justamente nessa contradição que o Maroon 5 encontra sua força e sua principal limitação: a banda sabe exatamente o que o público quer ouvir e entrega isso com segurança, mas parece pouco disposta a romper com a própria fórmula.
No Rock in Rio, o resultado foi um show competente, nostálgico e extremamente cantado, mas que reafirma uma questão que acompanha o grupo há alguns anos: até que ponto repetir uma fórmula de sucesso ainda é suficiente para surpreender?





