Katelyn Tarver lançou seu novo álbum Tell Me How You Really Feel na última sexta-feira (06), mesmo dia em que se apresentou em São Paulo como ato de abertura do Big Time Rush na In Real Life Worldwide Tour.
O terceiro disco marca um ponto-chave em sua trajetória, tanto pessoal quanto artística. Na vida, crescemos com uma ideia quase padrão: conhecer pessoas, se divertir, amadurecer, iniciar um relacionamento e construir uma vida ao lado de alguém, muitas vezes com um casamento como parte desse caminho. Mas o que acontece quando você chega lá e tudo isso desmorona?
Para Katelyn, algo não estava certo havia algum tempo. Foi ao chegar ao fundo do poço que percebeu que precisava se divorciar, após quase dez anos usando uma aliança. A mesma decisão que trouxe uma sensação de liberdade também a levou a refletir sobre todas as nuances que formavam quem ela era. Afinal, existem questionamentos internos que podem nos acompanhar por muito tempo e que inevitavelmente nos transformam.

Tell Me How You Really Feel é sobre se surpreender, renascer, se reencontrar e reafirmar quem você realmente é.
Encontramos a cantora e atriz em São Paulo para conversar sobre todo esse processo. Leia e assista à entrevista completa abaixo:
Então, antes de tudo, parabéns pelo novo álbum! É uma honra estar falando com você no dia do lançamento.
Obrigada. Eu sei! Também é uma honra para mim.
E você está em turnê justamente no dia do lançamento, dando entrevistas, encontrando fãs no Brasil.
Eu sei!
Como é estar aqui?
É incrível, incrível. Eu nunca poderia ter imaginado isso acontecendo, sabe? Quando eu estava fazendo esse álbum e pensando em lançá-lo, eu não imaginava que estaria no Brasil no dia do lançamento, mas estou muito feliz de estar. Tem sido incrível.
Bom, Subject to Change foi um dos álbuns que eu mais ouvi em 2022. Eu dava play e, se não deixasse no repeat, ia lá e apertava play de novo. Eu sinto que as músicas têm letras chiclete, mas é um álbum muito forte e me pega muito. Existem álbuns assim para você? Tipo, álbuns que você ouve no repeat?
Ah, nossa. Eu gosto muito da Kacey Musgraves. Ela é uma grande inspiração para mim. Eu sempre posso colocar Golden Hour para tocar. É um álbum muito importante para mim. Eu gosto muito de Japanese House também. O álbum dela, In the End It Always Does, eu amo. O que mais? Nossa, essa é uma pergunta difícil.
É uma honra enorme ser isso para alguém. Acho que, quando você está fazendo um álbum ou qualquer tipo de trabalho, o objetivo é que ele possa ser um conforto para as pessoas ou algo ao qual elas sempre voltem. Então isso significa muito para mim. Mas esses são alguns dos meus favoritos.
Fico feliz de poder trazer isso para você.
Sim, eu também.
Tell Me How You Really Feel é um álbum que surge quando você expressa um turbilhão de emoções depois de encerrar um casamento de 10 anos e começar o processo de se reencontrar, meio que redescobrindo quem você é nos seus 30 anos fora de uma vida que antes parecia já estar construída. Você sente que sua perspectiva sobre a vida mudou agora que o caminho à frente parece menos pré-definido do que antes?
Sim, sinto que minha perspectiva mudou muito. Acho que… não sei, é algo que muda completamente a vida, terminar um relacionamento- qualquer relacionamento de longo prazo, especialmente um casamento. E nunca foi uma situação em que eu imaginei estar. Mas quando me vi nela, por mais turbulento que fosse, por mais assustador que fosse e por mais que fosse um território totalmente novo para mim, sempre havia uma sensação de paz que meio que acompanhava tudo isso. Uma sensação profunda de saber que era a coisa certa a fazer.
Esse sentimento foi uma mudança enorme em relação ao que eu vinha sentindo nos anos anteriores, que era uma espécie de tensão constante de algo não parecer exatamente certo. Isso realmente pode te desgastar como pessoa, quando você está resistindo a algo que sabe que talvez precise fazer, mas tem medo. Então você adia, adia, evita, evita… e acho que isso teve um impacto em mim maior do que eu percebia.
Acho que é por isso que existem músicas em Subject to Change e Quitter que lidam muito com grandes e pesadas questões da vida. Quando finalmente tomei essa decisão de, digamos, “pular do penhasco”, houve medo, mas também um senso de alívio que era completamente novo para mim. E esse sentimento de alívio foi tão grande que mudou bastante a forma como eu enxergava o mundo e a minha própria vida. Eu meio que consegui aceitar tudo como era e começar a seguir em frente nesse caminho, estando um pouco mais no controle da minha própria vida, o que foi muito empoderador.
Falando em alívio, sinto que a capa do álbum transmite muito essa sensação de liberdade, junto ao título. Você sempre imaginou a capa assim ou teve outras ideias antes?
Essa ideia veio para mim quando eu estava pensando no que eu queria representar com uma imagem, sabe? Como era esse momento da minha vida. Era meio que como correr pela rua com o rosto virado para o vento, esse tipo de sensação. Então foi realmente algo que eu queria. Uma amiga minha fotografou a capa e tudo nela parecia muito alinhado com o que eu sentia. Tudo nesse álbum vem muito do meu coração e da minha própria visão para ele.

Então foi bom não ficar duvidando das coisas e simplesmente pensar: “é isso que eu quero, vamos fazer acontecer”. E eu estou muito feliz com o resultado.
Que legal. É uma capa de álbum muito bonita.
Obrigada.
De fora, parece que para você é fácil colocar emoções pesadas no papel. Suas músicas são bem suaves, mas sempre carregam muitas histórias. Agora que você está recomeçando essa fase da sua vida, que envolve tantas emoções, escrever ficou mais fácil, mais difícil ou simplesmente diferente?
Mais fácil. Acho que agora sinto ainda mais aquela sensação de que não tenho nada a esconder, de certa forma. Claro que existem várias coisas, várias situações que não estão no álbum e que eu vivi, mas… não sei.
Acho que estou nesse lugar criativo muito empolgante, quase como uma página em branco. E esse é um lugar muito inspirador para alguém que escreve e tenta contar histórias e expressar emoções. Também é legal já estar fazendo isso há alguns anos e receber o retorno das pessoas dizendo que gostam. Isso sempre dá um impulso de confiança para um artista inseguro.
Você não deveria [se sentir insegura artisticamente].
Às vezes eu sinto que não sei exatamente o que estou fazendo. Então é bom receber essa confiança toda vez que lanço algo e pensar: “ok, continue, vá mais fundo ainda, tente ser ainda mais honesta”. Essa sempre é a minha meta.
Você mencionou que especiais de stand-up foram uma inspiração para este álbum, já que ele fala muito de coisas desconfortáveis. Você acha que existe um tipo oposto — como filmes, histórias e mundos fictícios — que também poderia te inspirar a escrever músicas?
Nossa… nada específico vem à mente. Tenho certeza de que estou absorvendo coisas o tempo todo que acabam, de forma subconsciente, influenciando o que eu escrevo.
Mas, sobre o stand-up, acho que eu via os comediantes subirem ao palco praticamente sem nada. Eles só estão ali falando e falando sobre a própria vida da forma mais crua possível, dizendo coisas que fazem todos nós pensarmos: “meu Deus, não acredito que ele disse isso”. Mas ao mesmo tempo existe essa sensação de se sentir visto e de se conectar com algo.
E eu sempre tentei levar essa abordagem para a minha composição. Comecei a pensar nos paralelos entre o stand-up e esse tipo de composição mais confessional. Acho muito legal como os comediantes estão dispostos a se expor completamente.
Sem pensar muito antes de dizer aquilo.
Sim, exatamente. E eu pensei: eles são muito destemidos. E eu estou tentando ser cada vez mais assim. Foi uma inspiração interessante que eu realmente não esperava.

Agora, se você pudesse ter qualquer artista participando de alguma dessas músicas do novo álbum, quem seria, em qual música e por quê?
Meu Deus… essa é uma pergunta muito difícil. Nossa. Pegou pesado.
Talvez a Kacey?
Sim! Seria incrível. Eu adoraria ter a Kacey em uma música.
Acho que Don’t Eat, Pray, Love. Tem alguns momentos mais puxados para o country no álbum, porque eu fiz o álbum em Nashville com um grande amigo meu. Eu sou do Sul, sou da Geórgia, então tenho essas influências country de lá que aparecem neste álbum mais do que nos anteriores.
O título dessa música me parece muito a cara da Kacey.
Sim, exatamente! Eu também acho. Tenho muito orgulho desse refrão e dessa frase, e sinto que talvez a Kacey também gostaria.
Aposto que ela gostaria.
Então vamos jogar isso para o universo! Vamos colocar a Kacey em Don’t Eat, Pray, Love. Para mim, parece perfeito.
O nosso site é muito focado em tentar conectar fãs aos artistas, então encontrei algumas das suas maiores fãs no Twitter e elas mandaram algumas perguntas.
A Julia Cury pergunta: qual é uma das músicas que você mais quer que o público escute?
Bom, eu estou animada por finalmente ter o álbum completo lançado, porque quero que ele seja ouvido por inteiro. Mas acho que estou especialmente animada para as pessoas ouvirem… meu Deus. Tem uma música chamada Write For Me.
Sinto que ela traz um pouco de leveza dentro do álbum. É como um momento de respiro no meio de toda a intensidade. Ela fala sobre conhecer alguém de forma divertida, sobre abraçar esse novo capítulo de liberdade e novas experiências. É um pouco diferente, mostra um lado meu e uma vibe que eu ainda não tinha exposto muito. Então estou animada para as pessoas ouvirem essa. Espero que elas gostem, que acreditem nisso vindo de mim, que consigam abraçar essa ideia. Não é tão diferente assim, mas…
Mas é como dizer: “eu estou muito viva”.
Sim, exatamente. É só uma abordagem diferente, um tema diferente do resto do álbum. Então estou animada para que escutem essa.

A Ana, também conhecida como a fã número um da Katelyn Tarver no Twitter…
Uau, ok, oficial [risos].
Ela diz: “Eu acompanho seu trabalho há anos e sou uma ouvinte fiel dos seus álbuns. Eu sinto que Tell Me How You Really Feel é a conclusão de uma jornada que começou com Subject to Change, marcando o início de uma era completamente diferente de tudo que você já viveu ou fez antes. Eu adoraria ouvir como esses três álbuns se conectam para você.”
Uau, ela realmente é fã mesmo! É engraçado quando os fãs conseguem enxergar coisas que você nem percebe. Tipo: como você sabe disso?
Mas isso é muito legal porque, sim, eu definitivamente vejo dessa forma também. É realmente uma espécie de conclusão de uma jornada que venho vivendo e tentando compartilhar com todo mundo através das músicas.
Sobre como eles se conectam… acho que todos, de certa forma, falam sobre a minha jornada de crescer e passar por aquela fase da vida que- não sei se você conhece, é uma coisa meio ligada à astrologia. Eu moro em Los Angeles, desculpa. Mas se chama Saturn Return.
Para mim é um jeito útil de pensar sobre esse período, porque chega um momento em que você cresce, entra nos seus vinte e poucos anos e começa a aplicar tudo que aprendeu e tudo que imaginava que sua vida seria. Só que então você começa a viver coisas e pensa: “eu não achei que isso fosse acontecer”, ou “eu não esperava me sentir assim”, ou “eu não esperava perder essa crença, essa pessoa, esse relacionamento”. E as coisas começam a ficar confusas.
É tipo: “espera, eu achei que minha vida ia seguir desse jeito”. E quando as coisas não acontecem como imaginava, eu comecei a questionar tudo. Tipo: o que é real? O que eu realmente quero para a minha vida? O que eu realmente me importo? Todas essas grandes questões existenciais começaram a me atingir, o que acho que foi bom.
Don’t Eat, Pray, Love.
Exato! Só que foi difícil tentar organizar tudo isso. Então Subject to Change foi meio que o começo de eu compartilhar essas perguntas tipo: “ok, o que está acontecendo?”. Depois Quitter mergulhou ainda mais nessas questões existenciais de “o que tudo isso significa?” e “o que eu faço com isso?”.
E acho que neste álbum, obviamente existe o foco no divórcio, mas também é meio que a culminação de eu realmente tirar todas as coisas falsas nas quais eu tinha passado a acreditar e perceber que não eram o que eu imaginava. Foi como remover tudo que era familiar, qualquer base, qualquer estrutura que eu ainda tinha, e pensar: “ok, vamos começar de novo. O que vem depois disso?”.
Então, de muitas maneiras, é um novo começo. Mas também é o final desse tipo de trilogia de três álbuns. Não sei se isso deu algum contexto para a fã número um da Katelyn Tarver.
E eu fico muito feliz por você.
Paulinha (@tarverjonas): “Oi, Katelyn. Eu só queria dizer que te amo. Olhando para o processo de criação do novo álbum, o que você acha que ele revelou sobre quem você é hoje?”
Tem uma música no álbum novo chamada Trust Myself, que fala justamente sobre isso. O título já explica bem, mas meio que funciona como a tese central do álbum.
Basicamente é sobre a minha jornada de aprender a confiar em mim mesma e entender que eu sei o que é certo para mim mais do que qualquer outra pessoa. E acho que isso é fácil de dizer, mas muito difícil para mim de realmente viver até hoje. Eu sempre estou me questionando, duvidando de mim mesma, pensando se sei qual é a decisão certa ou errada.
Aprender a confiar em mim mesma tem sido algo muito importante para mim, algo que tenho tentado abraçar na minha vida e também expressar nesse álbum.
Thuany Gabrielle pergunta: ao longo da sua carreira, suas músicas têm se tornado cada vez mais vulneráveis e pessoais, o que acabou virando uma característica muito marcante sua como compositora. Se a Katelyn que escreveu suas primeiras músicas pudesse ouvir este novo álbum hoje, como você acha que ela reagiria?
Meu Deus, ela provavelmente diria: “o que tá acontecendo?!”. Acho que ela ficaria chocada. Também ficaria intrigada. E acho que ela ficaria orgulhosa, meio animada para ver tudo isso e curiosa para entender o que está acontecendo comigo. É legal pensar nisso. Espero estar deixando ela orgulhosa.
Passamos pelo crescimento, passamos pela dor e agora chegamos a essa nova sensação de liberdade. Quais são os próximos passos de Katelyn Tarver?
Bom, estou terminando essa turnê. Vamos tocar no Brasil hoje à noite. Depois tenho meus shows solo na primavera. E também vou participar de uma série da Netflix que estreia neste verão.
E, sabe, eu estou sempre tentando continuar fazendo o que já faço, então provavelmente vou começar a trabalhar no próximo álbum. Espero poder trazer mais histórias da minha vida para vocês.
Basicamente vou seguir fazendo o que eu faço e torcer para que as pessoas continuem interessadas em acompanhar.
Ouça Tell Me How You Really Feel





