Imagina reunir alguns dos maiores nomes da música pop brasileira em um único festival e transformar um sábado de outubro em uma prévia do Carnaval? Foi essa a proposta do Meli Music 2026. Com Anitta, Gloria Groove, Luísa Sonza, Pedro Sampaio e Normani no line-up, o festival do Mercado Livre levou uma sequência de hits, coreografias e performances ao Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, no último sábado (17).
Apesar da previsão de chuva e do céu fechado nas primeiras horas do dia, o tempo virou ao longo da programação, dando lugar ao sol e a um público que lotou o espaço para acompanhar os shows. Mas, antes de a música começar, o festival já tinha um primeiro ponto de atenção: os portões, previstos para abrir ao meio-dia, só foram liberados por volta das 14h. O atraso de aproximadamente duas horas impactou a programação e a chegada do público à arena.
Gloria Groove abriu os trabalhos com o céu azul e uma sequência de hits
O dia começou oficialmente para o público ao som de Gloria Groove, que encontrou um cenário bem diferente daquele que os fãs viram ao chegar. Se o céu estava fechado no início da tarde, o sol apareceu durante a apresentação da artista, que deu o tom da energia que acompanharia o festival até a noite.
Com um repertório cheio de sucessos, Gloria colocou o público para cantar e dançar mesmo em pleno começo de tarde. Faixas como “A Queda”, “Bonekinha” e “Vermelho” fizeram parte de uma apresentação que mostrou a força da artista no palco e sua capacidade de transformar qualquer horário em pista de dança.
A escolha de Gloria para abrir a sequência de grandes apresentações funcionou como um convite para o que viria pela frente: um festival que apostou em artistas com repertórios populares, performances marcantes e músicas que o público sabe cantar do começo ao fim.
Luísa Sonza transformou imprevistos em um dos momentos mais marcantes do festival
Na sequência, foi a vez de Luísa Sonza levar a estética da era Brutal Paraíso ao palco. Com um visual marcante, incluindo uma pena verde na cabeça, a cantora apresentou músicas de diferentes fases da carreira e mostrou que nem mesmo um imprevisto de última hora seria capaz de comprometer sua apresentação.
A banda original de Luísa não conseguiu chegar ao festival por problemas relacionados ao deslocamento, já que a equipe estava no Panamá. A solução foi montar uma banda às pressas para que o show acontecesse. Mesmo diante da situação, a cantora entregou uma apresentação consistente, com faixas como “Loira Gelada”, “Campo de Morango”, “Mulher do Ano” e “Modo Turbo”.
Mas a música não foi o único destaque. Luísa também aproveitou o palco para falar sobre censura e liberdade de expressão. Em setembro, o deputado Lucas Pavanato acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a cantora por suas manifestações políticas durante os shows. A ação foi extinta pelo tribunal.
Durante a apresentação, Luísa declarou: “Enquanto eu tiver um palco, ninguém vai me calar.” A cantora também apareceu com uma blusa do Brasil, em referência à mobilização que aconteceu na manhã de sábado.
Entre a música e o posicionamento político, Luísa transformou o palco em um espaço de expressão, mostrando que uma apresentação pop também pode carregar mensagens que vão além do entretenimento.
Pedro Sampaio transformou a arena em uma grande pista de dança
Se a proposta era manter o público em movimento, Pedro Sampaio cumpriu a missão. O DJ e produtor levou ao Meli Music a estética do sofá, já apresentada no Rock in Rio, além de seus dançarinos e uma produção visual que acompanhou a energia de seu repertório.
O show passou por sucessos e faixas que estão em alta, como “JETSKI”, “Sequência Feiticeira” e “Joga pra Lua”. A apresentação não se limitou à mesa de DJ: Pedro interagiu com o público, percorreu a passarela e apostou em uma performance dinâmica, com coreografias, fogos e muito confete.
O resultado foi uma apresentação que funcionou como uma festa dentro do festival. Com músicas que dominam as pistas e as redes sociais, o artista conseguiu manter a arena envolvida e reforçou sua identidade como um dos nomes mais fortes do funk e da música eletrônica popular brasileira.
Normani fez sua estreia solo no Brasil e trouxe o legado do Fifth Harmony para o palco
Um dos momentos mais aguardados da programação foi a apresentação de Normani, que estreou em um show solo no Brasil. Conhecida mundialmente por sua trajetória no Fifth Harmony, a cantora chegou ao Meli Music com a missão de apresentar sua identidade individual a um público que também guardava um carinho especial por seu antigo grupo.
No repertório, Normani reuniu músicas de sua carreira solo, como “Motivation” e “Wild Side”, além de sucessos como “Love Lies” e “Dancing with a Stranger”. A surpresa ficou por conta do medley de faixas do Fifth Harmony: “BO$$”, “Worth It”, “All in My Head (Flex)” e “Work from Home” fizeram o público cantar junto e resgatar uma parte importante da história da artista.
No palco, Normani demonstrou segurança, presença e domínio da performance. A cantora dançou, explorou a coreografia e contou com um corpo de baile que também chamou a atenção ao incorporar elementos do funk brasileiro, incluindo o passinho do Jamal.
A apresentação foi uma oportunidade de ver Normani para além dos hits que marcaram sua trajetória no grupo. Mesmo diante da expectativa em torno de sua estreia solo no país, ela sustentou o show com personalidade e mostrou que tem repertório e performance para ocupar o palco por conta própria.
Anitta encerrou a noite entre a era Equilibrium e os hits que marcaram sua carreira
Para fechar o festival, Anitta chegou com a força de quem sabe comandar uma multidão. Misturando momentos de sua fase atual, ligada ao projeto Equilibrium, com sucessos que atravessam sua carreira, a cantora entregou uma apresentação performática, cheia de mudanças de ritmo e interação com o público.
O repertório passou por músicas como “Sua Cara”, “Sei que Tu Me Odeia”, “Loka”, “Sal Grosso” e “Desgraça”, equilibrando a nova fase musical com faixas que já fazem parte da memória afetiva dos fãs.
Um dos momentos mais emocionantes aconteceu antes de “Some Que Ele Vem Atrás”, parceria com Marília Mendonça. Anitta contou ao público que havia assistido ao documentário sobre a cantora naquela mesma manhã e convidou todos a conhecerem melhor a história da amiga e artista que tanto amou.
A homenagem trouxe uma pausa mais emotiva em meio à intensidade do show e destacou o carinho que permanece entre as duas, mesmo após a partida de Marília.
Com presença de palco, coreografias e uma produção que acompanhou cada mudança de clima, Anitta encerrou a programação em grande estilo. A apresentação reuniu diferentes fases de sua carreira e reforçou a capacidade da cantora de transformar o palco em uma experiência coletiva, em que o público participa tanto quanto assiste.
Um sábado de sol, hits e clima de Carnaval
O Meli Music 2026 terminou com a sensação de que outubro ganhou um dia extra de Carnaval. Apesar do atraso na abertura dos portões, a programação reuniu artistas de estilos e trajetórias diferentes, mas com um ponto em comum: repertórios que convidam o público a cantar, dançar e participar.
A estreia solo de Normani no Brasil, a adaptação de Luísa Sonza diante de um imprevisto, a energia de Pedro Sampaio, a potência de Gloria Groove e o encerramento de Anitta deram personalidade a uma edição que apostou em grandes nomes do pop.
No fim, o tempo colaborou, o sol apareceu e a arena ficou cheia. Para quem esteve presente, o festival entregou uma sequência de apresentações que fizeram o sábado valer pela experiência, com música, performances e momentos que vão além dos hits.
Fotos: Mariana Fernandes





