O K-pop chegou ao Rock in Rio para ficar e o Stray Kids fez questão de deixar isso ainda mais claro. Na noite desta sexta-feira (11), o grupo sul-coreano encerrou o primeiro dia inteiramente dedicado ao gênero na história do festival, ocupando o Palco Mundo diante de uma multidão tomada por lightsticks, gritos e uma energia que começou muito antes da abertura do show. Pela primeira vez em seus 41 anos, o Rock in Rio dedicou uma programação completa ao K-pop, e a resposta do público não poderia ter sido mais expressiva.
Logo nos primeiros momentos, ficou evidente que aquela não seria apenas mais uma apresentação. O Stray Kids chegou ao palco caminhando pelo chão, encontrando de perto uma plateia que já ocupava todos os espaços disponíveis. Ao olhar para a multidão, Bang Chan, líder do grupo, não escondeu a surpresa ao perceber a dimensão do público. O que veio depois foi um espetáculo que combinou a precisão característica do K-pop com a força de uma apresentação de festival: além das coreografias e da grandiosa produção visual, o grupo contou com uma banda ao vivo, trazendo ainda mais peso às músicas e criando uma experiência especialmente potente para o Palco Mundo.
Mais do que reproduzir uma apresentação tradicional do seu show de festivais, que começou com a Stray City, em Bogotá, o Stray Kids pareceu entender o tamanho do momento. O repertório passeou por diferentes fases da carreira, incluindo uma versão diferente de “Chk Chk Boom”, a “Festival Version” no encore. Entre músicas como “S-Class”, “MANIAC”, “God’s Menu”, “Thunderous”, “LALALALA” e “MIROH”, o público mostrou que conhecia cada palavra, e, principalmente, que não estava ali apenas para assistir, mas para fazer parte do espetáculo.
A conexão com o Brasil também apareceu de maneira espontânea. Em determinado momento, Bang Chan surpreendeu ao cantar um trecho de “Ai, Se Eu Te Pego”, de Michel Teló, provocando uma reação imediata da Cidade do Rock, como fez também na DominATE Tour.
E talvez seja justamente essa conexão que explique parte tão importante do fenômeno. Para quem acompanha o K-pop, a relação entre artista e fã ultrapassa a música: existe uma comunidade, uma identidade e uma dedicação que se manifesta nos lightsticks, nos projetos de fãs, nas filas que começam horas antes e na disposição para acompanhar cada detalhe da apresentação. Nesta sexta, isso ficou impossível de ignorar.
O mais importante sobre o show do Stray Kids, porém, vai além do espetáculo de uma única noite. O dia 11 de setembro representa uma mudança significativa para o próprio Rock in Rio. NEXZ, Hwasa e Stray Kids ocuparam o Palco Mundo em uma programação inédita, enquanto outros artistas também dialogaram com o público que foi à Cidade do Rock atraído pelo gênero.
E o resultado foi bastante claro: o K-pop não precisou se adaptar para caber no festival. Foi o festival que abriu espaço para uma das maiores forças da música mundial.
A dimensão dessa mudança pôde ser percebida ainda antes do Stray Kids entrar em cena. Durante o dia, a concentração de fãs chegou a ser tão grande próximo ao Palco Mundo que a organização precisou interromper a programação para pedir que o público recuasse alguns passos antes do show de Hwasa, buscando garantir a segurança de quem estava na área.
Não é mais possível tratar o K-pop como um movimento de nicho dentro dos grandes festivais. E, para nós, do We In The Crowd, existe algo especialmente interessante em assistir a esse movimento acontecer justamente em um evento que historicamente se construiu sobre a ideia de reunir diferentes públicos em torno da música.
O Stray Kids já havia mostrado sua força no Brasil antes mesmo do Rock in Rio. Em 2025, o grupo levou duas apresentações lotadas ao MorumBIS, em São Paulo, e uma para o Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, consolidando uma relação com o público brasileiro que agora ganhou uma nova dimensão.
Mas transformar essa força em uma apresentação no Palco Mundo, como atração principal de um dos maiores festivais do país, é outra história. E talvez seja esse o principal legado da noite de Rock in Rio. O festival não apenas recebeu o K-pop: deu ao gênero um dia inteiro, colocou seus artistas no centro de sua programação e viu uma multidão responder à altura.
Se existe uma tendência que fortemente acreditamos depois desta noite, é que o K-pop conquistou seu lugar nos festivais da Rock World. E, depois do que vimos na Cidade do Rock, seria difícil imaginar que esse espaço será ocupado apenas uma vez.
O Stray Kids encerrou a noite. Mas, para o K-pop no Rock in Rio, essa história parece estar apenas começando.
Fotos: Carol Marins / We In The Crowd




