Em uma era tecnologica, onde as opiniões de todos sobre tudo são expressadas ao mais alto volume que já foi alcançado, doa a quem doer, imagine ser colocado ao centro dos holofotes mundiais aos 19 anos. Essa é a média de idade que o KATSEYE tinha quando fez sua estreia, em 2024.
Após passar por um treinamento intensivo e um reality cheio de emoções, Megan, Manon, Lara, Yoonchae, Sophia e Daniela se tornaram parte de um grupo feminino global criado por algumas das maiores empresas de músicas que já existiram, HYBE e Geffen. Assim, as recém adultas (ou até mesmo crianças, como Yoonchae, que nem tinha atingido a maioridade na época) rapidamente se tornaram o tópico favorito das conversas do mundo pop atual.
Essa é a aventura – e o desafio – que conseguimos acompanhar no documentário Katseye: Wild Hearts. Durante o longa metragem, acompanhamos o ínicio de tudo, as mudanças na carreira do girlgroup, seus primeiros sucessos globais, grandes apresentações e muito mais.
O projeto explora com excelência as diversas faces do conjunto, dando a liberdade para as integrantes serem sinceras sobre as fases de carreira que enfrentaram até agora. Desde o EP SIS (Soft Is Strong) até o álbum WILD, Katseye foi um exemplo constante de metamorfose, com o objetivo de encontrar seu próprio espaço e identidade na música.
Todas elas deixam isso extremamente claro. Mesmo com os grandes viúvos dos conceitos meigos, o grupo não tem mais intenção de seguir por essa linha, principalmente depois de ter descoberto o quão confortável ficava com sonoridades e universos mais freaky, poderosos e fortes.
Inclusive, em um momento do filme, Yoonchae – a única integrante sul-coreana – fala sobre como isso a impactou pessoalmente, revelando que, quando entrou no grupo, costumava a falar baixo, cantar com vozes mais finas e ter apenas uma expressão. Hoje, diz se sentir feliz após ter entendido que pode ser autêntica e real aos olhos do público, sem medo de tentar coisas novas em sua carreira e vida num geral.
Mas, isso não significa que elas estão presas em algo imutável e que tudo vai voltar a uma mesmice de Gnarly e todo esse som mais intenso que o conceito leva. Uma das coisas que Katseye bate o pé e não abre mão é sobre explorar tudo que for possível e estiver no alcance delas.
Com uma line-up tão diversa, elas não tentam esconder que tem personalidades, visões de mundo, gostos e vivências diferentes. Mas, diferente do que os famosos haters desejam, isso não vira um perigo dentro do grupo, e sim uma super arma secreta. Com tanta pluralidade, Katseye aprendeu a ser versátil e abraçar qualquer ideia que venha pela frente.
Elas estão completamente abertas para tentar diferentes ritmos, conceitos e narrativas, usando o olhar positivo de que isso realmente pode ajudar novas pessoas a se conectarem com o projeto como um todo, aumentando a fanbase cada vez mais.
Isso se intensificou ainda mais depois do lançamento de Gnarly, onde o conjunto foi massacrado pela audiência no começo, mas teve uma reviravolta impressionante com a canção logo em seguida, levando ao posto de maior sucesso do grupo até hoje. Com esse caso, as membros chegaram a desabafar sobre como se sentiram aliviadas em perceber que podem confiar em suas intuições e arriscar sem medo.
Até porque, com shows extremamente lotados e presença nos maiores palcos do mundo, é como Sophia disse: o hate só existe na internet e, quando você percebe isso, ele se torna insignificante demais.
Outro ponto que não podemos deixar de falar é sobre a amizade entre elas. Vamos ser sinceros, ter que se mudar para uma casa com 5 desconhecidas do dia pra noite é pra lá de estranho e seria completamente normal se não desse certo.
Porém, mesmo com as narrativas on-line que insistem em colocar rivalidade feminina como item essencial em pleno 2026, as meninas mostram não só como são próximas, mas como se tornaram pilares de apoio umas das outras nos últimos anos. Relatos sobre amizades, convivências, amor e empatia tomam um grande espaço no documentário, reforçando essas conexões no grupo.
Muitas pessoas falam que é algo roterizado mas – mesmo eu não acreditando nisso – acredito que precisamos parar de tentar desvendar a vida de pessoas que não conhecemos em relações que não estamos envolvidos diretamente e focar nas coisas boas. E uma delas é definitivamente o quanto Katseye está se tornando um exemplo importante para meninas ao redor do mundo.
As salas de cinema ao redor do mundo estão se enchendo de grupos de garotas jovens, muitas delas crianças, com suas famílias e amigas, vendo 1 hora e 30 minutos de suas maiores inspirações falando sobre a importância de apoio feminino e como a união entre mulheres pode leva-las a patamares inimagináveis. Ter isso como pauta principal em um projeto tão grande de um ato musical tão grande foi emocionante de ver.
Caso você queira conferir tudo isso também, Katseye: Wild Hearts fica em cartaz nos cinemas brasileiros até esse domingo (16).





