Harry Styles retorna ao Brasil após 4 anos, com sua turnê de residência ‘Together Together’. Depois de escolher São Paulo como uma das raras paradas mundiais de sua nova turnê, o cantor britânico transformou o Morumbis em um verdadeiro território das harries, suas fãs, para a segunda das quatro noites da residência, realizada no dia 18 de julho. A expectativa já vinha alta desde a primeira data, e quem esteve presente pôde confirmar: valeu cada minuto de espera.
Antes de Harry entrar em cena, quem ficou responsável por esquentar o estádio foi o duo novaiorquino Fcukers, que assinou o show de abertura da noite. Com uma proposta dançante, a dupla apresentou um set que nos diz bastante sobre a nova era de Harry, que puxa um pouco mais para o lado psicodélico do pop. De toda forma, em alguns momentos ficou claro que alguns fãs estavam ansiosos demais para ver o Harry e não ficaram focados na apresentação durante todo o tempo, mas, ainda assim, a energia deles preparou muito bem o terreno para a maratona (literalmente) que estava por vir.


Fotos: Julia Henriques | We In The Crowd
Quando Harry finalmente surgiu no palco, ficou claro, mais uma vez, que estamos diante de um dos artistas com a presença de palco mais magnética de sua geração; é difícil explicar em palavras o que acontece quando ele pisa naquele espaço. Cada gesto, olhar e corrida pela passarela parece pensado para fazer o estádio inteiro reagir junto, como se todos ali respirassem no mesmo ritmo. E, como já virou marca registrada de seus shows, a noite foi recheada de interações com os fãs. Harry conversa, ri, provoca, se diverte e devolve o carinho do público de um jeito tão natural que faz cada pessoa presente sentir que aquele momento é só dela, mesmo cercada por milhares de outras vozes.
A setlist foi uma verdadeira celebração de tudo que ele construiu até aqui. Uma variação de seus maiores sucessos, como Watermelon Sugar e As It Was, se misturou às faixas do novo álbum, ‘Kiss All The Time, Disco Occasionally’, sem deixar de fora as queridinhas históricas da fanbase, como Fine Line, que sempre arrancam suspiros e choro de quem acompanha o cantor há anos. Mas a virada de chave da noite veio com a música surpresa: The Waiting Game, e o caminho até ela foi tão especial quanto a própria performance. Antes de cantá-la, a orquestra presente no palco tocou trechos de duas canções da One Direction, a boyband que revelou Harry ao mundo antes de sua carreira solo, e não foi preciso mais do que isso para que boa parte do público se emocionasse.
O motivo da emoção dos fãs é simples e profundamente simbólico: o cantor estava justamente no Morumbis, o mesmo estádio onde se apresentou com o grupo em sua primeira passagem pelo Brasil, há 12 anos, em 2014. Para muita gente ali, aquele reencontro tinha o gostinho de ver um ciclo se fechando.
Além da música, a noite foi marcada por momentos que já entraram para a memória afetiva das harries. Um dos mais comentados foi a “Respeite Sua Mãe Cam”, em referência à sua canção Dance No More, na qual Harry colocou no telão do palco as fãs que estavam acompanhadas de suas mães. A cena rendeu risadas e aplausos por todo o estádio e, para além da brincadeira, teve algo genuinamente bonito em ver diferentes gerações reunidas ali, dividindo a mesma paixão pela música.
Em outro momento, ele começou um discurso pedindo que todos inspirassem e expirassem para se acalmar, mas o público simplesmente não conseguia parar de gritar. Harry brincou que não dava para respirar com todo mundo gritando ao mesmo tempo, tentou novamente e, previsivelmente, foi recebido com uma nova onda de gritos ainda mais alta. Foi um daqueles momentos espontâneos que mostram por que a relação dele com o público funciona tão bem e nada soa ensaiado.
Mas o instante que fez a plateia realmente ir à loucura aconteceu quando o cantor pediu o leque de uma fã e, ali no palco, começou a batê-lo no mesmo ritmo em que o público costuma fazer.
Para quem não acompanha de perto, pode parecer um detalhe pequeno, mas o gesto carrega um significado especial por aqui: ele foi recentemente adotado pelas fanbases brasileiras após o sucesso no Lollapalooza Brasil, onde o ato ganhou repercussão internacional quando os fãs passaram a bater os leques acompanhando o ritmo das músicas. Ver Harry incorporar algo tão nosso à performance foi, para muitos, a prova de que ele realmente presta atenção na cultura de quem o recebe.
Claro que, como em qualquer produção desse porte, nem tudo foram flores. Por mais que o show de Harry seja marcante e que ele seja um artista incrível, com uma presença de palco que sinceramente deixa muitos outros no chinelo, uma das principais reclamações da fanbase nesta turnê ficou por conta da estrutura do palco. E aqui vale um esclarecimento honesto: o problema não era exatamente o palco em si.
Para quem estava nos setores de cadeiras, na arquibancada e também nas Pits, a visão era fenomenal, daquelas de aproveitar cada segundo. A questão aparecia mesmo para quem estava na pista, com obstrução em alguns pontos causada pelas rampas e pelos desníveis do próprio Morumbis, o que fazia com que quem ficasse mais para trás tivesse ainda mais dificuldade de encontrar Harry em determinados momentos, já que acabavam em um nível mais baixo do que as pessoas em sua frente. Alguns fãs que compraram justamente esse setor contaram que passaram boa parte do show procurando o cantor no palco ou acabaram assistindo pelo telão, mesmo estando tão perto do palco, já que eram poucos os instantes em que conseguiam vê-lo de fato na sua frente. É o tipo de detalhe que faz diferença quando se investe tanto, emocional e financeiramente, para estar ali.
Ainda assim, é preciso dizer com todas as letras: nada disso estragou a experiência dos presentes. O público esteve 100% entregue do começo ao fim, e isso ficou impossível de ignorar em dois momentos específicos. Durante os fogos de Sign of the Times, o estádio inteiro pareceu segurar a respiração e se emocionar junto com a canção que abriu a carreira solo de Harry, uma daquelas faixas que carregam um peso especial para quem acompanha sua trajetória desde o começo. E, mais adiante, os gritos de “leave America” durante As It Was ecoaram com tanta força que fizeram o Morumbis literalmente tremer. Foram momentos que resumem bem o que é um show do Harry no Brasil.
Para quem ainda não teve a chance, a boa notícia é que Harry Styles tem mais duas apresentações em São Paulo, nos dias 21 e 24 de julho, e os ingressos seguem disponíveis no site da Ticketmaster Brasil. Acreditamos que seja uma oportunidade incrível de ver e experimentar de perto tudo aquilo que a Together Together Residency tem a oferecer. Se depender da energia dessa segunda noite, quem for vai sair de lá com o peito quentinho e a certeza de ter vivido algo especial.
Confira, também, as galerias dos dois primeiros shows abaixo:
17 de Julho
Fotos por: Carol Marins e Rebeca Paulino
18 de Julho:
Fotos por: Carol Marins, Julia Henriques, Mariana Fernandes e Rebeca Paulino






