A noite de sábado (11) entrou para a história do pop e da MPB contemporânea. Sob o céu de São Paulo, Liniker deu o pontapé inicial na emocionante turnê de despedida de seu aclamado álbum de estúdio com o show “Bye Bye Caju“. O cenário não poderia ser mais grandioso: um Nubank Parque completamente lotado por 48 mil vozes prontas para celebrar e se despedir de uma das eras mais marcantes da música brasileira recente.
Sem perder tempo, a artista abriu os trabalhos com a certeira “Tudo”, o primeiro single da era, incendiando o público de imediato. Mas o show foi desenhado para ser uma celebração completa de sua trajetória. Embalando a multidão em uma onda de nostalgia e paixão, a cantora desfilou hinos indispensáveis de sua carreira, como “Zero”, “Antes de Tudo” e “Baby”, cantadas em uníssono por fãs eufóricos que carregam essas canções como trilhas sonoras de suas próprias histórias.
O bloco do show dedicado exclusivamente ao universo do disco ganhou contornos teatrais. Com interlúdios conceituais que narravam a essência de “Caju“, Liniker entregou performances arrebatadoras de hits como a faixa-título, “Me Ajude a Salvar os Domingos” e a sensual “Veludo Marrom”, tudo isso muito bem amparado por um corpo de balé impecável e cheio de sincronia.
Como boa mestre de cerimônias, a artista guardou surpresas especiais para a estreia. A noite ganhou sotaque e ginga com a subida de Priscila Senna ao palco para o feat em “Pote de Ouro”. Além disso, o público paulistano teve o privilégio de testemunhar, pela primeira vez ao vivo, as recentes “Charme” e “Melhor Notícia”, lançamentos que já nasceram com a força de clássicos de palco.
Para além da música, o show teve o tamanho da relevância de sua protagonista. Em um dos momentos mais emocionantes e aplaudidos da noite, Liniker fez uma pausa para consolidar o tamanho do marco que estava realizando ali. “É a primeira vez que uma travesti faz um show sold out aqui”, discursou, sob o rugido da plateia, ressaltando a urgência e a importância de abrir caminhos para que esses espaços de destaque sejam cada vez mais ocupados por outras artistas.
O primeiro capítulo do encerramento da era “Caju” entregou exatamente o que prometia: uma catarse coletiva repleta de hits, coreografias e uma entrega vocal absurda. Liniker não apenas se despede de um álbum vitorioso, mas crava seu nome no topo do cenário de megashows do país. A era “Caju” vai deixar saudades, mas o gosto que fica na boca é o de um triunfo inesquecível.
Fotos: Day Mello





