No Dia dos Namorados, Tim Bernardes encantou Brasília com um show emocionante e uma setlist escolhida pelo público.
“Fases vão passando…”, Mil Coisas Invisíveis, lançado há 4 anos atrás marcou uma das maiores eras do artista. Com um acervo de faixas que transitam entre amor e o peso da existência, o disco foi um dos destaques do Grammy Latino, na categoria de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira.
“Nascer outra vez bem no meio da vida…” Com um show melancólico e intimista, Tim Bernardes subiu ao palco do Ulysses Guimarães em Brasília e fez história. Com uma voz poderosa, letras impactantes e um carisma notável, o cantor transformou o espetáculo em uma grande celebração, que contemplou desde os apaixonados pelo Dia dos Namorados até os aniversariantes presentes na plateia.
O palco, que à primeira vista pode parecer simples, carrega um simbolismo característico e marcante do artista. A introdução do show acontece de forma cuidadosamente construída: a iluminação não revela imediatamente o rosto de Tim, direcionando a atenção do público para sua voz e para os arranjos instrumentais.

E tudo isso é proposital. A composição minimalista da cena — em que o grandioso palco do Ulysses Guimarães é ocupado apenas por um piano, holofotes, uma cadeira e um microfone — deixa claro que o centro do espetáculo é a voz e a melancolia de Tim Bernardes, que, com suas letras cativantes, emocionou todo o público brasiliense.


O próprio Tim Bernardes já havia avisado: nesta turnê não existe setlist oficial. Todos os shows contam com repertórios diferentes, com o objetivo de percorrer toda a sua trajetória artística. Logo, em Brasília não foi diferente. Embora houvesse um roteiro previamente planejado, o repertório seguiu caminhos próprios ao longo da apresentação.
Explorando sua carreira no palco, Bernardes revisitou diferentes fases de sua obra, passando pelo álbum Recomeçar e por Mil Coisas Invisíveis, além de canções de Atrás/Além e Melhor do Que Parece, trabalhos de sua banda, O Terno.
Grande parte do repertório foi conduzida pelo público, que aos gritos pediu “Soluços”, de Jards Macalé, prontamente atendido pelo cantor. Outros sucessos, como “Nascer, Viver, Morrer”, “BB (Garupa de Moto Amarela)”, “Falta” e “A Balada de Tim Bernardes”, também marcaram presença na noite. Tim ainda se aventurou em um cover de Paul McCartney e relembrou músicas d’O Terno, como “Volta”, “Volta e Meia” e “Eu Vou”.
Com cerca de duas horas de duração, o show mostrou um artista disposto a atender até os pedidos mais inusitados. Em clima de Dia dos Namorados, Tim abriu espaço para as “possibilidades namorados”, interpretando canções como “Pra Sempre Será”, e canções que estavam na prateleira prontas para serem apresentadas caso o público solicitasse como “O Bilhete”, “Não”, “Baby” — gravada ao lado de Gal Costa — “Eu Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda” e “My Love”.


Não é superestimado, é fato:
Tim Bernardes é facilmente um dos maiores nomes da MPB contemporânea e, com sua voz única, transforma o show em um encontro íntimo que rompe o distanciamento entre fã e artista. Além disso, o cantor demonstra total confiança naquilo que apresenta, deixando a pirotecnia de lado e mostrando ao público que, para um bom espetáculo, basta ter talento e sensibilidade para compreender o que a plateia deseja. Bernardes também impressiona com sua presença de palco que, para alguns, pode parecer distante; porém, para quem o acompanha, essa postura representa a essência mais autêntica de Tim.
Dessa forma, não se faz necessário um espetáculo exagerado. Com apenas um vocal impecável, um violão e um piano, o artista transformou o Ulysses Guimarães em uma verdadeira zona de conforto. Afinal, essa é a principal mensagem que o show de Tim Bernardes transmite ao público: calmaria em meio à tempestade. Durante as duas horas em que o assistimos, o mundo lá fora parece congelar, e tudo o que temos diante de nós é um homem extremamente talentoso cantando sobre a própria vida em uma sintonia única com a plateia.
Um dos destaques que mais chamou atenção foi o respeito do público que acompanha Tim nesta turnê. Durante a apresentação, os momentos de silêncio eram brevemente interrompidos pela voz eufônica do cantor ou por pedidos inusitados de músicas feitos pelos fãs, que, por sua vez, eram atendidos pelo artista com um humor impecável. Dessa forma, a interação entre palco e plateia acontecia de maneira espontânea e contribuía para a atmosfera intimista do espetáculo, em muitos momentos esquecíamos que Bernardes era o artista e que estávamos ali para assisti-lo.
A turnê continua percorrendo o Brasil, e você pode acessar mais informações sobre as próximas datas aqui.
E aí, você já foi em algum show do Tim Bernardes? Conta pra gente como foi sua experiência!






