Artista Do Mês

Artista do Mês: Olivia Dean

Nome: Olivia Lauryn Dean
Idade: 24
Origem: Haringey, Londres 
Artistas Favoritos:  Lauryn Hill, Amy Winehouse, Carole King e the Supremes
Pra quem gosta de: Alessia Cara, Lianne La Havas e Jorja Smith

Olivia Dean é uma estrela em ascensão que se destacou na música britânica em 2023, sendo nomeada Artista do Ano pela BBC. A cantora tem conquistado todos pelo seu pop fluído que navega por vários estilos musicais e letras sentimentais e ganham ainda mais vida nas suas magnéticas performances ao vivo. 

Seu histórico musical começou cedo, aos 8 anos. Naquela idade, era obcecada por O Rei Leão e Amor, Sublime Amor. Sua maior paixão era o teatro musical, o romance e o drama que juntos contavam histórias pela música.

Aos 14 anos, escreveu sua primeira música e implorou à mãe para que a comprasse um piano de segunda mão de presente de Natal. Dois anos depois entrou para a Brit School, que é focada em arte, com aulas de música, teatro, dança, produção artística, etc. Também fez parte do coro da igreja, mas contou que a primeira vez que se apresentou na frente de pessoas, estava de costas pro público e chorou muito ao cantar “Tomorrow” do musical Annie.

Foto: Divulgação / PETROS

Mostrando muita confiança em suas músicas, Olivia contou à Time Out que nem sempre foi assim e que não gostava de morar em sua cidade natal por ser a única garota negra da escola. Isso a fez querer mudar para a Brit, onde descobriu um mundo totalmente diferente e foi se tornando cada vez mais segura de si. Ela se juntou a nomes como Rex Orange County, Black Midi e Raye nas salas de aula.

Aos 17 anos, começou sua carreira trabalhando com o grupo Rudimental como vocalista coadjuvante. Alguns anos depois, eles lançaram uma colaboração: Adrenaline. A decisão de deixar o grupo não foi fácil, duvidando de si e de seu talento ao decidir seguir carreira solo.

Em 2019, lançou seu primeiro EP. OK, Love You Bye conta com 4 músicas, uma delas sendo uma demo. O trabalho não teve tanta divulgação, já que decidiu tentar cursar música popular na faculdade. Olivia desistiu depois de três semanas. Ela queria escrever suas músicas e ser uma artista de verdade, e queria que isso ocupasse todo seu tempo, sem precisar focar nos estudos. Dean contou que tinha medo de que isso tirasse a diversão e criatividade dela.

“É muito fácil deixar que outras pessoas lhe digam o que você deveria estar fazendo. Mas, na verdade, no final do dia, você sabe imediatamente o que quer fazer. Aprendi que tinha que ser egoísta. E me fazer feliz primeiro. Quem se importa com o que as outras pessoas pensam sobre isso.”

– Olivia para a Time Out. 

No mesmo ano, Dean assinou seu contrato com a EMI Records. 

Na estrada

Durante a pandemia, Olivia viajou pela Inglaterra com o seu caminhãozinho amarelo e sua banda tocando em locais ao ar livre enquanto as casas de show permaneciam fechadas. A turnê “From Me To You” e seu pequeno palco móvel levou a música ao vivo de volta à várias pessoas durante esse período de flexibilização em 2020.

No ano seguinte, Olivia tocou seu primeiro show oficialmente no Camden Jazz Café. Os vídeos desse show viralizaram no TikTok e somam milhões de visualizações no YouTube.

Olivia Dean + Brasil

Recentemente Olivia veio ao Brasil a passeio e gravou um vídeo na Rocinha, em um espaço da ONG Vivendo um Sonho Surf. 

“Há um gênero chamado MPB que é todo sobre música brasileira antiga. E me disseram que é algo que você ouve com seus entes queridos e sozinho. É realmente apreciado na cultura como música romântica para momentos especiais. E tipo, o que é equivalente disso em inglês? Um gênero muito querido que é uma coisa especial só pra gente ou pros nossos momentos mais tranquilos. E pensei, eu quero fazer isso! Quero fazer música que é para os seus momentos especiais, para te acalmar, para marcar as belas memórias que você tem.”

No Instagram e Spotify, publicou uma playlist com músicas que te lembram do país.

Messy

Durante a produção de seu álbum de estreia, ela passou por muitos momentos de síndrome do impostor, onde Dean ouvia os artistas que a inspiraram e dizia “eles são artistas, eu só estou fazendo isso”. A mesma acabou entrando em um estado depressivo e precisou entrar na terapia para entender o que ela faz bem. 

O projeto traz mais de um estilo de música em suas faixas, algo que a precisou fazê-la bater o pé com sua gravadora para lançá-lo. Afirmando ter se mantido teimosa e verdadeira com si, Olivia se diz muito orgulhosa do álbum por ser exatamente do jeito que ela queria e imaginava. Com 11 músicas e um interlude, todas foram escritas por ela.

Sua teimosia resultou em sucesso. Messy foi nomeado ao Mercury Prize como álbum do ano e chegou ao 4º lugar nos charts oficiais do Reino Unido.

‘Carmen’, faixa 12, é sobre sua avó que viajou do Caribe ao Reino Unido como parte da “geração Windrush”, a primeira geração de trabalhadores negros originários das colônias inglesas no Caribe que aportou em Londres, em 1948, a bordo do navio Empire Windrush. A intro da sua música é a voz de Carmen, à quem Olivia quis dedicar todo o álbum.

A cantora é apaixonada pelo storytelling na música, onde a faixa conta uma narrativa feita pelo artista. Ao criar o disco, sua visão era de fazer algo para que as pessoas pudessem sempre voltar. Um disco atemporal, que passasse o sentimento de um abraço.

“Isso é o que eu realmente gosto em composição, escrever sobre coisas realmente pequenas, mas fixando grandes significados à elas.”

– Olivia ao revelar sua admiração por Amy Winehouse e seu poder no storytelling.

Uma semana antes do álbum sair, “The Hardest Part” ganhou uma nova versão em colaboração com Leon Bridges, que agradou muito, sendo a segunda música mais ouvida da cantora atualmente no Spotify.

Empoderamento 

Dentro de uma indústria tão machista, Olivia prometeu a si mesma que seus clipes só serão dirigidos por mulheres. A artista encontrou em seu trabalho uma forma de mostrar o talento de outras mulheres incríveis do mercado. Desde o início de sua carreira, tenta criar equipes cheias de mulheres, seja na administração, marketing, ou até mesmo no time que a acompanha nos sets.

“Acho tão importante construir energia ao seu redor e mulheres têm essa linda, aconchegante e empática energia que te faz sentir segura.”

Curiosidade: sua mãe, Christine, é vice-líder do Partido da Igualdade das Mulheres no Reino Unido. Olivia diz que Christine é muito poderosa e que vê um pouco dela em si.

Novas Conquistas

No começo do mês, Olivia fez sua primeira apresentação na televisão no programa The Graham Norton Show para cantar ‘Dive’, trazendo sua banda em uma elegante performance e usando um look da Chanel, marca da qual é embaixadora. 

Elton John também se declarou um grande fã de Olivia, dizendo que ela será uma grande estrela e revelando desejo de uma colaboração. Os dois se conheceram depois, durante o Glastonbury Festival.

PARA ASSISTIR

WITC Recomenda:

  • What Am I Gonna Do On Sundays? 
  •  Dive
  • Slowly

Texto por Mariana Fernandes e Carol Marins

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