O show da Yerin em São Paulo, parte da turnê Chapter Y, foi um daqueles momentos que a gente passa anos imaginando e, quando finalmente acontece, parece até difícil de acreditar. Ela também passou por Niterói e Porto Alegre, mas tudo isso tem um peso diferente de outros shows de K-pop, já que Yerin é a primeira integrante do GFRIEND a vir ao Brasil.
O grupo é um dos mais lendários da Coreia do Sul, com 11 anos de carreira, um som inconfundível e uma sincronia que virou referência dentro da indústria. Mesmo hoje, com cada integrante seguindo seu caminho solo e em empresas diferentes, o conjunto nunca deixou de existir de verdade. Elas mesmas fazem questão de reforçar isso sempre, e Yerin transformou essa certeza em algo ainda mais palpável durante o show.
Como uma verdadeira boneca saindo direto de um universo próprio, ela abriu a noite com “4U”, explicando o conceito da turnê, que é um novo capítulo da carreira dela, escrito junto com os fãs que a acompanham há tanto tempo.
Desde o primeiro momento, dava pra sentir o quanto ela estava feliz de estar ali. Yerin aprendeu palavras em português pra se comunicar melhor, reagia a cada grito, a cada canto do público, como se estivesse absorvendo tudo. Ela tem uma energia impossível de ignorar, aquela que contagia mesmo. Isso já aparecia em programas, vídeos e outros conteúdos profissionais, mas ver de perto é outra história. Pessoalmente, ela é ainda mais um verdadeiro raio de sol, daqueles que fazem você sorrir sem nem perceber.
Com um time inteiramente de dançarinas brasileiras, Yerin também apresentou “Wavy”, “Permeate” e “Awake”, transitando por conceitos diferentes com uma naturalidade absurda. O público ia da euforia à emoção em poucos minutos, mostrando que ela realmente nasceu pra estar nos palcos em qualquer formato e em qualquer fase da vida.
Mas um dos momentos mais especiais da noite foi quando ela separou um segmento inteiro para falar do GFRIEND, não como algo do passado, mas como algo vivo, com realmente é. Ela relembrou algumas músicas, histórias e até dançou “Me Gustas Tu” para os fãs. Era impossível não sentir o peso daquele momento numa mistura de nostalgia e respeito a uma das jornadas mais lindas que a música já viu.
O cuidado com o Brasil apareceu também de uma forma linda e divertida. Em um bloco dedicado totalmente à música brasileira, Yerin ouvia uma música em português no fone, tentava cantar, e os fãs tinham que adivinhar qual era, valendo fotos autografadas. Em “Evidências” (Chitãozinho e Xororó), ela comentou que gostaria de ouvir a música enquanto tomava uma cerveja. Em “A Lenda” (Sandy & Junior), se emocionou ao ver todo mundo cantando junto. Já em “Ragatanga” (Rouge), foi completamente possuída pelo ritmo, dançando a coreografia três vezes seguidas enquanto ria e repetia o quanto aquilo era divertido.
Mas não foi só ela que preparou surpresas. Os Woorins exibiram um vídeo especial mostrando São Paulo e expressando o quanto estavam emocionados com a visita dela depois de tantos anos de espera. Yerin ficou visivelmente tocada e agradeceu quem a acompanha desde sempre, dizendo que, para ela, a paixão dos fãs já é recompensa suficiente. Ainda sobre o Brasil, confessou que tinha ficado nas nuvens depois de comer açaí mais cedo e que estava ansiosa para provar mais da culinária do país.
No encore, ela voltou ao palco com a energética “The Dance” e depois fechou o show com “Wheel of the Year”, do GFRIEND, onde ninguém (pelo menos eu) conseguiu ficar sem chorar. Não somente pelo fim do show, mas por tudo o que aquela música representa.
É curioso pensar no GFRIEND como grupo. Em muitos casos, talentos tão intensos quanto o vocal da Yuju ou a dança da SinB, destacadas como alguns dos melhores da indústria INTEIRA, poderiam ofuscar outras integrantes. Mas isso nunca aconteceu ali. Talvez pela irmandade, talvez pelo amor que elas têm umas pelas outras, talvez pelo esforço constante ao longo dos anos. O fato é que cada uma cresceu de forma equilibrada, única. Todas conseguem segurar um palco sozinhas, e juntas, se completam de um jeito raro de ver.
Yerin comentou durante o show que ainda fica nervosa ao se apresentar sozinha. Mas, se você não conhece toda essa trajetória, jamais perceberia. Mesmo com dúvidas, ela passa uma confiança absurda e domina o palco como se fosse sua segunda casa. Sua dança é hipnotizante, o vocal arrepia, mas o que mais marca é o carisma, que atravessa tudo.
Falando agora de um lugar totalmente pessoal, como jornalista musical e como uma Buddy que acompanha o GFRIEND há quase uma década, ver Yerin ao vivo é uma experiência que te deixa com o coração cheio. Daquelas que fazem todo o tempo de espera valer a pena e que a gente carrega com carinho, sabendo que viveu algo realmente especial.




