Lou Garcia abriu sua nova turnê, “Devaneios Tour”, na noite deste sábado (19), na Casa Rockambole, em São Paulo. Com ingressos esgotados, a artista encontrou uma casa cheia para sua primeira apresentação desde o lançamento de Literalmente Devaneios, em outubro de 2025, e entregou um espetáculo que marca uma nova fase de sua carreira — agora com dança, mais preparação física e uma estrutura pensada para transformar o universo do álbum em experiência ao vivo.
Antes do show, Lou conversou com a We In The Crowd e falou sobre o processo criativo por trás da nova era, a preparação para as apresentações e os próximos passos da turnê. A artista também adiantou que novas datas devem ser anunciadas tanto para São Paulo quanto para outras cidades brasileiras, ampliando o alcance de um projeto que, até aqui, começa com uma estreia bastante movimentada.
Uma das principais novidades em relação aos shows anteriores é a presença de um ballet, incorporado pela primeira vez a uma apresentação de Lou. Composto por Mary Benevides e Thairlla e dirigido por Bruno Barbosa, o corpo de dança acompanha a artista durante boa parte do espetáculo e ajuda a transformar as músicas em momentos essencialmente visuais.

E Lou não fica atrás. Durante aproximadamente 1h15 de apresentação, a cantora canta e dança praticamente o tempo inteiro, resultado de uma preparação física e vocal que ela própria comentou antes de subir ao palco. A movimentação passa a fazer parte da narrativa do show e cria uma dinâmica bastante diferente daquela vista em apresentações anteriores.
O figurino, por sua vez, não aposta em uma grande elaboração visual, mas funciona justamente por permitir que a artista se movimente livremente. Em uma apresentação tão focada em coreografias, a escolha conversa diretamente com a proposta e deixa que a dança ocupe o protagonismo necessário.
A setlist percorre todo o álbum Literalmente Devaneios, mas não fica presa a ele. O repertório também recupera faixas de KARUMA, seu primeiro álbum, além de singles importantes da trajetória da artista, como “Não Posta”, parceria com Marina Sena, e “Candidato”, lançado justamente na sexta-feira (18), um dia antes da estreia da turnê.
E existe uma explicação para essas músicas mais recentes estarem tão conectadas ao espetáculo. Em entrevista antes do show, Lou contou que os singles lançados depois de Literalmente Devaneios continuam pertencendo ao mesmo universo narrativo do álbum, funcionando como extensões dessa história mesmo sem fazerem parte oficialmente de uma edição deluxe.
Isso fica evidente na maneira como “Candidato” aparece dentro do repertório. Recém-lançada, a faixa não surge como um elemento isolado para divulgar uma novidade, mas como parte de uma era que continua se expandindo para além do lançamento original.
Apesar de começar apostando bastante na energia e nos momentos dançantes, a apresentação também encontra espaço para mostrar um lado mais íntimo da artista. Em “Fique Bem”, por exemplo, Lou aparece com o caderno original onde guardou as composições de Literalmente Devaneios, levando para o palco um objeto diretamente ligado ao processo de criação do disco.
Já em “Deja Vu”, a dinâmica muda completamente. Sozinha diante do público, Lou assume o centro da apresentação com seu pedestal e uma pandeirola, criando um momento mais cru e introspectivo em meio à grandiosidade das coreografias. São justamente essas pausas que ajudam a equilibrar o espetáculo e lembrar que, por trás de toda a movimentação, existe uma artista que também construiu esse álbum a partir de experiências bastante pessoais.
A banda também tem papel fundamental nessa construção. No palco, Lou é acompanhada pelo baterista Vitor Peracetta, conhecido também por tocar com Matuê, além do guitarrista Augusto Diniz e do baixista Spritza. Juntos, os músicos conduzem a apresentação por diferentes sonoridades, passando pelo pop, rock, funk e até pelo pagode baiano, enquanto acompanham as nuances dos vocais de Lou.
Um dos momentos que melhor representa essa vontade de revisitar a própria trajetória aparece em “Não Fosse Tão Tarde”, música que apresentou Lou Garcia a uma parcela importante de seu público. Para a turnê, o hit ganhou um novo arranjo em uma versão pop-funk, que conversa com a estética sonora de Literalmente Devaneios sem apagar completamente a identidade pop rock que marcou sua versão original.
É justamente nessa mistura entre passado e presente que a “Devaneios Tour” encontra sua identidade. Ao mesmo tempo em que revisita músicas responsáveis por diferentes momentos da carreira de Lou, o espetáculo apresenta uma artista que parece cada vez mais interessada em ocupar o palco com o corpo inteiro — cantando, dançando, experimentando novas sonoridades e transformando um álbum lançado há quase um ano em algo que continua vivo.
A estreia em São Paulo deixa claro que Literalmente Devaneios ainda tem histórias para contar. E, se os singles que vieram depois continuam fazendo parte desse mesmo universo, a turnê parece ser apenas mais uma etapa de uma narrativa que Lou Garcia ainda não terminou de escrever.
Texto por: Gabrielle Kuppe
Fotos: Ayumi Ranzini





