Na quarta-feira (26), os sete membros do BTS declararam que não irão submeter suas músicas para o próximo 69º Grammy Awards. “Que a música possa ser ouvida e amada pelo que é, em vez de ser dividida por região ou idioma”. O que trouxe uma reflexão à cerca do sucesso global do grupo: por que ocorre essa divisão dentro das maiores premiações da música?
Global no palco, regional na categoria
O sucesso estrondoso do BTS pegou todo o mundo de surpresa. Em julho de 2019, o MTV Video Music Awards anunciou uma nova categoria, “melhor K-pop”, que surgiu após o BTS reescrever o livro de recordes do Youtube sem uma única indicação para mostrar o feito. O videoclipe de IDOL, arrecadou 45,9 milhões de visualizações em 24 horas, em agosto de 2018 e continuou até se tornar o videoclipe mais rápido daquele ano a ultrapassar 100 milhões de visualizações na plataforma.
Essa estatística colocou os sete membros do grupo no mesmo patamar de Eminem, Taylor Swift e Ariana Grande, entretanto, quando o reconhecimento finalmente veio, ele foi construído especificamente para contê-los. Com o prêmio de melhor K-pop por Boy With Luv, com participação da Halsey, e a categoria de melhor grupo, votada pelos fãs, o BTS agora teria um pequeno espaço nas grandes premiações, mas não o suficiente.
Fora das tradicionais cerimônias, o BTS nem sequer foi listado como potenciais concorrentes a clipe do ano ou clipe pop do ano na maior cerimônia de videoclipes do mundo, e o significado por trás é bem simples: o grupo não era visto pela premiações, apenas pelos fãs.
O septeto por muitos anos se adaptou à essa pequena “caixa” que as grandes premiações os colocaram. Entre 2021 e 2023, o grupo acumulou cinco indicações ao Grammy, sendo três seguidas por melhor performance de dupla/grupo pop por Dynamite, Butter e My Universe (com colaboração do Coldplay), além de melhor videoclipe por Yet To Come.
Convidados para atuar como membros votantes da Recording Academy em 2019, o Grammy era visto como o “topo do mundo” para um dos maiores grupos de K-pop, que fizeram eles perder, majestosamente, cinco vezes seguidas.

A apreciação da música para além das fronteiras
Após quatro meses da sua última transmissão, a Recording Academy anunciou uma récem-adicionada categoria: melhor performance asiático. Em sua descrição oficial, a categoria para ser elegível devem apresentar o uso significativo de um ou mais idiomas asiáticos, e qualquer faixa interpretada na língua inglesa, será explicitamente descartada.
A questão não é que a criação de uma categoria específica elimine a possibilidade de concorrer em outras. A preocupação, seja ela fundamentada ou não, é que, a partir do momento em que essa categoria passa a existir, ela se torne o destino automático para esses álbuns e artistas, enquanto categorias gerais deixam, gradualmente, de integrá-los ao debate.
Para Harvey Mason Jr. CEO da Recording Academy, a intenção é “nunca dividir, mas expandir”. Já artistas como Beyoncé e Tyler, the Creator discordam dessa lógica, e agora, o BTS integra esse grupo. “Eu acho que, às vezes, ‘gênero’ é uma palavra-código para nos manter em nossos espaços enquanto artistas”, afirmou Beyoncé ao receber o Grammy de Melhor Álbum de Country por Cowboy Carter. Tyler, the Creator, por sua vez, foi ainda mais direto ao questionar por que IGOR não havia sido indicado na categoria Pop.
Em um dos momentos mais decisivos de sua trajetória, impulsionado pelo lançamento de ARIRANG — álbum que permaneceu por três semanas no topo da Billboard 200 — e pelo sucesso de SWIM, single que estreou diretamente no primeiro lugar da Hot 100, o BTS deixou claro que sua reivindicação nunca foi pela ausência de reconhecimento. O que o grupo questionava era a dimensão desse reconhecimento, que, neste momento, já não reflete a proporção de seu impacto e de seu sucesso global.
A não submissão do disco para uma das maiores premiações da música estabelece um limite e expõe as contradições de uma indústria que, por anos, tratou o maior nome do K-pop como uma exceção a ser enquadrada em categorias específicas, em vez de reconhecê-lo em igualdade de condições com os principais artistas do mercado global.
De forma mais sucinta, o Grammy Awards não é mais o topo para o BTS, mas o BTS segue sendo o topo para o Grammy Awards.
O Brasil receberá três apresentações — já esgotadas — da turnê mundial do BTS. Nos dias 28, 30 e 31 de outubro de 2026, o Estádio do MorumBIS será palco de um dos maiores espetáculos musicais da atualidade. Confira as informações da turnê aqui.
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