Balaclava Records trouxe Mac DeMarco para o Brasil e provou que bagunça também é espetáculo.
Toinha Brasil Show recebeu nesta quarta-feira (8), a apresentação intimista e caótica do canadense Mac DeMarco. Com a casa lotada, o espetáculo foi marcado por momentos descontraídos e imprevisíveis — algo bem típico do artista, não é mesmo?
Mac já esteve no Brasil anteriormente, porém, essa é a primeira vez que o cantor arrisca uma turnê solo em terras brasileiras. Com uma turnê extensa, o artista irá visitar cerca de 8 cidades ao redor do país.


Conhecido pela fama de roqueiro indie com shows desequilibrados, Mac possui uma simplicidade e um carisma absurdos que transparecem a todo momento durante o espetáculo. Com um estilo musical característico, DeMarco construiu, ao longo de sua carreira, álbuns sólidos, feitos para fãs fiéis, com letras intimistas e gravações caseiras, além de uma sonoridade fluida que vai do indie rock ao jazz — ou, como o próprio gosta de classificar, “Jizz Jazz”.
Desde 2019, o cantor entrou em uma era experimental, mostrando que seu talento vai além dos vocais, contudo retomou sua essência no ano passado com o álbum Guitar, mostrando novamente um lado suave, melódico e profundo – e foi exatamente esse lado que ele apresentou nessa turnê.
Com um espetáculo de 1h30, Mac subiu ao palco acompanhado por uma banda de peso: Phil Melanson (bateria), Daryl Jones (baixo), Alec Meen (guitarra e teclado) e o brasileiro Pedro Martins (guitarra). Ao mesmo tempo intimista e deslumbrante, o show transitou com naturalidade entre momentos bem-humorados e interativos — marcas registradas de DeMarco — e canções mais profundas, sustentadas por um instrumental marcante, com destaque para os solos de guitarra de Pedro, que enriquecem a jornada musical do artista.

“Prometo que da próxima vez, não irei demorar 11 anos para voltar”, afirmou durante uma das performances para Brasília. Com um som caseiro, orgânico e introspectivo, DeMarco performou uma setlist bem equilibrada, com canções que vão de Salad Days, For the First Time à hits como Heart To Heart, Chamber Of Reflection e My Kind of Woman.
Porém, o que mais chamou a atenção dos fãs foram algumas canções “esquecidas” retornarem ao repertório do artista, como No Other Heart e One More Love Song. O público brasiliense correspondeu à altura às surpresas e cantou a todo volume cada verso, provando que, mais uma vez, Brasília, a Capital do Rock, é receptiva a artistas internacionais.
Falando em recepção, o cantor tem sido cercado de presentes durante sua passagem pelo Brasil, e na capital não foi diferente. Criou-se até uma espécie de tradição: presentear o artista com vinis de músicos brasileiros. A brincadeira começou com um disco da Rita Lee e, já em Brasília, ele saiu com cerca de cinco novos álbuns, incluindo nomes como Chico Buarque, Gal Costa, Djavan, Jorge Ben Jor e Geraldo Azevedo.

O espetáculo não possui altos e baixos, pelo contrário, o caos intimista que Mac DeMarco leva ao palco é, paradoxalmente, o que mais encanta o público. Seu show se sustenta em um equilíbrio preciso entre performances bem construídas, diálogos espontâneos que aprofundam a conexão com os fãs, letras melancólicas e arranjos que transitam com fluidez entre o peso e a leveza.
O Toinha Brasil Show, foi uma escolha perfeita por sua estética quase caseira que reforça essa sensação de proximidade, como se o público estivesse participando de um ensaio íntimo e não de um grande espetáculo. Essa escolha, contribui para dissolver a barreira entre artista e plateia e cria um ambiente acolhedor onde a imperfeição se torna parte essencial da experiência. Sem pressa ou rigidez, Mac construiu uma narrativa emocional que envolveu o público do início ao fim e transformou o show em uma experiência coletiva que vai além da música em si.
Visto à distância, fica evidente que DeMarco conduz cada detalhe como um maestro de si mesmo. Do improviso às interações, nada parece fora de controle: há intenção em cada gesto. Nesse domínio orgânico das performances, o artista se afirma não apenas como carismático e espontâneo, mas como um músico completo e um dos grandes destaques da cena independente.
Mac DeMarco irá se apresentar na cidade de Recife nos próximos dias e dará continuidade à turnê brasileira. Ficamos na torcida para ver o artista mais vezes no Brasil nos próximos anos. Até lá, nos restam as lembranças de um show inesquecível e muito bem-humorado.
E aí, qual disco de vinil deve entrar na coleção do artista até o final da turnê? Diz pra gente!





