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Reunindo os 4 elementos, Jão se apresenta em dois shows esgotados no Allianz Parque

No último final de semana, a SUPERTURNÊ teve sua estreia em São Paulo. Jão, que fez suas duas primeiras apresentações solo em um estádio, surpreendeu o público com uma setlist vibrante, cenografia grandiosa e vocais impressionantes.

Por dois dias, o Allianz Parque se tornou a toca dos lobos e abrigou os fãs que vieram de todo o país até a capital para prestigiar a estreia. Sem show de abertura e com uma apresentação de duas horas composta por 28 músicas presentes na setlist, o cantor comandou o espetáculo com maestria.

A SUPERTURNÊ encerra um ciclo de quatro álbuns contando uma mesma história que vem sendo criada desde o lançamento do primeiro álbum do cantor, Lobos. Dividida em quatro atos, cada um representando um dos quatro elementos (terra, ar, água e fogo) conectados aos álbuns, o trecho inicial da música “Rádio”, utilizado para a entrada de Jão, representa perfeitamente o final de um ciclo e o começo de um sonho construído por anos e, finalmente, realizado em formato de turnê:

“Eu tenho um sonho, eu tenho um sonho/ 
Eu tenho um sonho, eu quero o mundo, meu amor/
Eu quero tudo, e pra buscar, vou precisar te deixar.”

O ato de abertura traz uma mistura de novidade e nostalgia, sendo composto por uma faixa de cada álbum. Escorpião começa a noite e é seguida pela já clássica A Rua e o hit Essa Eu Fiz Pro Nosso Amor e Doce, que iluminou o estádio de verde-limão com ajuda das pulseiras de led distribuídas aos fãs.

O ato I vem acompanhado pela primeira de quatro trocas de roupa realizadas durante a noite, atingindo o público com animação e nostalgia ao performar Imaturo, o primeiro hit do cantor. A surpreendente estreia de Gameboy nos palcos e a versão completa de Rádio também fazem parte do ato, mas nada emociona tanto quanto a primeira apresentação da faixa Monstros em seis anos.

Eu espero realmente que se você nunca se sentiu parte ou pertencente a algo, que você olhe hoje ao seu redor, as pessoas a sua volta e eu espero, de verdade, que você se sinta em casa porque eu me sinto em casa com vocês.”

– O cantor se declarou para a plateia antes de iniciar a canção.

Com o apoio de uma estrutura de 30 metros de altura, Jão finaliza o primeiro ato sendo abduzido aos céus durante Sinais e já inicia o Ato II, Ar, com uma cena de tirar o fôlego nas alturas, enquanto se apresenta sobre um prédio, fazendo referência a letra da canção A última noite:

“Uma noite no alto de um prédio / Vendo a cidade por cima”

A apresentação teatral continua no Ato III com o SuperCine, onde Jão e sua banda transformam o palco em uma sala de cinema ao som de Locadora, incluindo versos extras e a versão acústica de uma canção surpresa, escolhida pelos próprios fãs em uma batalha de gritos que acontece por meio de um vídeo interativo no telão um pouco antes do início do show.

Na primeira noite, as opções foram: Triste Pra Sempre de Anti-Herói e Aqui, do álbum Lobos, tendo como vencedora a primeira música. Já na segunda noite, o público pôde decidir entre a faixa de abertura do álbum Pirata, Clarão e Barcelona, também do Anti-Herói, que foi a segunda vencedora. Você teria escolhido diferente?

Jão, vindo do interior de São Paulo e abertamente bissexual há anos, cultivou por anos uma relação de acolhimento e pertencimento com seus fãs que se faz cada vez mais presente no terceiro ato, principalmente na música Meninos e Meninas, onde o estádio se iluminou nas cores da bandeira bi. 

Para finalizar o show, o Ato IV mostra todo o fogo e potencial de Super de ser um dos melhores álbuns do cantor ao vivo. Com efeitos de fogo iluminando o palco e esquentando o público, a sequência de Eu Posso Ser Como Você e Se O Problema Era Você, Por Que Doeu Em Mim? utiliza de vocais impressionantes e guitarras fortes para mostrar um novo lado do cantor que só pode ser definido como um verdadeiro rockstar.

O ato também traz versões no piano de Maria e São Paulo, 2015 antes de seguir com força total para o feat do cantor com Anitta, Pilantra, seguido do single Me Lambe e uma experiência explosiva e etérea da faixa final do álbum, Super. Jão se entrega totalmente para o público por uma última vez em Alinhamento Milenar, última música da setlist e é acompanhado por fogos brilhantes, mas silenciosos.

É impossível falar sobre toda a grandiosidade da SUPERTURNÊ sem exaltar todo o trabalho da equipe do cantor e grande estrutura montada no estádio, mas o palco gigantesco e o dragão com quem Jão compartilha o palco parecem pequenos em relação ao cantor, que brilha como uma estrela própria enquanto canta.

Seja em meio a chuva forte, fogos de artifício ou explosões de fogo, é impossível tirar o foco do público de Jão durante o show. O artista entrega carisma, vocais e coreografia, provando que seja em um pequeno show para 300 pessoas no Theatro Pedro II ou em um estádio esgotado para 45 mil pessoas em duas noites seguidas, o menino do interior é uma das maiores forças da música brasileira atual e veio para transformar o cenário das turnês nacionais de uma forma nunca vista antes.

Experienciar a SUPERTURNÊ é viver uma noite de grandeza e após um final de semana diferente de qualquer outro, podemos afirmar que por onde Jão passar, as estrelas irão se alinhar para tornar uma noite mais inesquecível do que a outra. E mal podemos esperar para poder vivenciar isso tudo de novo!

Fotos: Mariana Fernandes

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